A proposta de taxa mínima de R$ 10 por corrida, que está em discussão no Projeto de Lei Complementar 152/2025, tem gerado preocupação entre os trabalhadores de aplicativo em Teresina. Embora reconheçam que a medida possa trazer mais estabilidade para os motoristas, eles alertam para o risco de que o aumento encareça o serviço e afaste justamente quem mais utiliza o transporte por aplicativo na capital: os trabalhadores CLT e os estudantes.
Segundo o presidente da Associação de Entregadores por Aplicativo, Pedro Vitor Higino Brito, essa parcela da população depende dos aplicativos para se locomoverem ."O transporte público em Teresina é precário, com ônibus sucateados e um sistema que vive em situação de caos. Se a população de baixa renda não tiver condição de pagar 10 reais, mais os adicionais por quilômetro rodado, como é que a gente vai ficar?", questionou durante entrevista ao jornalista Luiz Brandão, no Podcast Piauí Hoje.
Entregadores por aplicativo cobram participação no processo de regulamentação do serviço
Ele fez uma crítica indireta à prefeitura de Teresina ao comparar os subsídios milionários destinados às empresas de ônibus, que não resolvem o problema do transporte coletivo, com a falta de qualquer subsídio para os trabalhadores de aplicativo. Ele sugere que, se houvesse esse tipo de apoio, poderia haver um alívio tanto para quem trabalha quanto para quem utiliza o serviço diariamente.
Pedro também criticou a forma como o projeto de lei vem sendo construído sem a participação adequada dos trabalhadores. Ele afirmou que os representantes do Piauí não foram chamados para as discussões iniciais em Brasília e que a categoria precisa ser ouvida porque "eles não têm a noção da realidade de quem está na rua".
Para ele, falta transparência sobre os reais impactos que a nova lei trará tanto para quem trabalha quanto para quem utiliza o serviço diariamente. Ele ainda lembrou que a categoria já enfrenta taxas abusivas cobradas pelas plataformas, que podem chegar a até 40% do valor da corrida, e que a conta já não fecha com o preço atual do combustível.
Categoria enfrenta taxas abusivas cobradas pelas plataformas
Apesar das críticas ao processo federal, Pedro reconheceu avanços conquistados no Piauí. Ele citou a isenção do IPVA para motocicletas de até 170 cilindradas como uma conquista importante e a instalação do primeiro ponto de apoio para trabalhadores de aplicativo na zona leste de Teresina, próximo à Ponte JK.
Veja entrevista completa de Pedro Vitor
Fonte: Piauí Hoje
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