Economia

EXPORTAÇÃO

Tarifa dos EUA impacta pouco o etanol brasileiro, apontam especialistas

Medida afeta apenas 16% das exportações, com forte viés político, segundo análise.

Teresinha Ferreira

22 de julho de 2026 às 12:37 ▪ Atualizado há 2 horas

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  • A tarifa de 25% dos EUA sobre o etanol brasileiro terá efeitos limitados na economia do Brasil.
  • O mercado americano representa menos de 16% das exportações brasileiras de etanol.
  • Especialistas afirmam que a medida tem motivação política.
  • A participação dos EUA nas exportações brasileiras de etanol tem diminuído.
  • A tarifa não é vista como uma tragédia econômica, e recomenda-se buscar novos mercados.
  • O Brasil tem vantagens competitivas no setor sucroalcooleiro, com custos mais baixos e maior produtividade.
  • A produção é afetada por fatores climáticos favoráveis que permitem uma segunda safra de milho.
  • 75% do etanol no Brasil vem da cana-de-açúcar, mas o etanol de milho está crescendo.
  • A medida dos EUA é vista como uma forma de pressão política.
  • O Brasil questiona a medida na OMC, destacando o alinhamento com regras comerciais.
  • Entidades do setor defendem o diálogo para resolver divergências comerciais.

Agência Brasil Etanol Brasileiro
Etanol Brasileiro

A tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre o etanol brasileiro deve ter efeitos limitados para a economia nacional, afetando pontualmente algumas exportadoras. Especialistas ouvidos pela Agência Brasil consideram que a iniciativa possui forte motivação política. Atualmente, o mercado americano representa menos de 16% das exportações brasileiras de etanol.

A maior parte do etanol brasileiro vai para outros destinos internacionais, embora os EUA sejam o segundo destino principal. Luiz Carlos Delorme Prado, professor do Instituto de Economia da UFRJ, observa que a participação norte-americana nas exportações tem caído nos últimos anos. "Esse peso já era relativamente pequeno antes da tarifa", explica.

Dada essa tendência, é improvável a reversão dessa tarifação. "A medida é prejudicial, mas não representa uma tragédia para a economia do país", acrescenta Prado, que recomenda ao Brasil seguir buscando mercados alternativos.

Outro ponto de vista foi destacado por Luis Augusto Barbosa Cortez, professor na Unicamp, ao explicar que o Brasil possui vantagens competitivas no setor sucroalcooleiro, como custos mais baixos de produção e maior produtividade por hectare, favorecendo a busca por novos mercados.

A produtividade pode ser impactada também por fatores climáticos e de solo que permitem ao Brasil uma segunda safra de milho, ao contrário dos EUA, que enfrentam limitações climáticas mais severas. Atualmente, 75% do etanol brasileiro é produzido a partir da cana-de-açúcar, embora a produção de etanol de milho esteja crescendo rapidamente.

Niels Soendergaard, da UnB, destaca o caráter político das medidas dos EUA, que, segundo ele, são usadas como ferramenta de pressão econômica. O governo brasileiro contestou as justificações americanas, alegando que estão em desacordo com as normas da OMC.

Entidades do setor, como a Unica, rechaçam as alegações dos EUA, sustentando que as políticas brasileiras para o etanol estão alinhadas às regras comerciais internacionais. A resposta das representações setoriais defende o diálogo como via para resolver divergências comerciais.

Fonte: Agência Brasil