BANCO DO NORDESTE

Programa visa projetar Piauí como produtor de verduras e competir com Ceará e Pernambuco

Plano de ação do Programa Banco do Nordeste de Desenvolvimento Territorial foi lançado nesta quarta (22) e objetiva fortalecer horticultores de Teresina, Miguel Alves e União.


Agricultores levaram produtos durante o lançamento do Plano de Ação Territorial

Agricultores levaram produtos durante o lançamento do Plano de Ação Territorial Foto: Roberto Araujo

A ousada meta de impulsionar a produção de horticultura no Piauí para fazer frente a produtos importados é um dos objetivos do Plano de Ação Territorial (PAT) da Horticultura do Território Entre Rios. Em sua fala, o superintendente estadual do Banco do Nordeste, Diogo Martins, lembrou que 90% dos alimentos que o Piauí consome é importado, sobretudo de estados como Pernambuco e Ceará, e que dessa forma, recursos poderiam ser implementados para que o Piauí consiga ter produtos para competir com os importados.

“Hoje é o ponto de partida de união de todas as instituições que tratam dessa questão da horticultura, no sentido de buscar e definir esses objetivos. Esses objetivos vão ser definidos à medida que forem fazendo as reuniões, forem quebrando os gargalos da cadeia produtiva, e vai fazendo com que o horticultor de Teresina, de União e de Miguel Alves entenda que, se ele produzir em escala, se tiver um padrão, ele vai ter para quem vender. Então, nós temos aqui todas essas instituições, elas têm esse dever de casa hoje, que é viabilizar o aumento da produção, a padronização e o elo com o setor privado para poder comercializar”, disse o representante do banco.

Lançamento do programa aconteceu no auditório do Banco do Nordeste no centro de Teresina

O plano foi lançado em conjunto com as prefeituras de Teresina, Miguel Alves e União, e com a presença de representantes da Embrapa Meio Norte e do Governo do Estado. A iniciativa objetiva oferecer crédito, bem como diversas outras ações centradas no fortalecimento da atividade no Território Entre Rios e contemplará, inicialmente, 95 horticultores dos municípios de Teresina, Miguel Alves e União.

Dentre os agricultores que esperam não só o fornecimento de crédito, mas melhoria na infraestrutura para produção e distribuição dos alimentos, está a Olívia Rodrigues. Ela vive no assentamento Santana Nossa Esperança, na zona rural de Teresina, e fala que é preciso um olhar mais atento para a infraestrutura.

Olívia Rodrigues é agricultora de assentamento da Zona Rural de Teresina e considera que precisaria de melhoria na infraestrutura para impulsionar a qualidade e permanência dos produtos

Com mais de 90 famílias no assentamento, boa parte do terreno fica ociosa pela falta de energia e irrigação para um cultivo permanente – este é considerado um dos gargalos para que a produção piauiense não se projete permanentemente e consiga competir com o que é importado, já que o setor privado precisa de uma garantia de oferta permanente para o seu cliente.

“Nós agricultores estamos a 16 anos, produzimos de cada um pouquinho. A terra maior que nós temos não tem acesso de água e luz, então nós só trabalhamos no inverno, que a gente faz roça, planta feijão, milho, abóbora, macaxeira, tudo, e farinhada também. Só temos água nos lotes de moradias, que já tinha fazenda, e aí utilizamos para fazer nossas hortas”, explicou.

A prefeitura de Teresina, por sua vez, menciona que a capital, por ter uma grande área rural, tem potencial para a autossuficiência na produção de alimentos. No entanto, problemas como o citado pela Olívia do assentamento Santana Nossa Esperança não são raros.

Secretário de Produção Agropecuária de Teresina, Edvaldo Marques

O secretário de produção agropecuária de Teresina, Edvaldo Marques, que participou do lançamento, disse que o município tem agido de forma coordenada para melhorar a infraestrutura, e que o objetivo principal é dar condições para que os horticultores consigam melhorar a qualidade da produção e da comercialização dos produtos.

“Nós estamos em parceria com outros órgãos inclusive da própria prefeitura que cuida dessa parte de estrutura física da nossa grande área rural, que é aproximadamente 1.200 km² de área rural, é uma área banhada por dois rios, que tem um lençol freático abundante, portanto precisa chegar o poder público implementando políticas públicas em benefício de nossa população”, disse o representante da prefeitura.

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