COMUNICAÇÃO ÍNDIGENA
Teresinha Ferreira
10 de agosto de 2026 às 14:28 ▪ Atualizado há 2 horas
Jornalistas indígenas lançaram o manual de jornalismo Poranga Marandúa nesta segunda-feira (10), na Câmara dos Deputados, em Brasília. A obra inédita traz termos, orientações e princípios sob a perspectiva dos povos indígenas.
Luciene Kaxinawá, coordenadora geral da Articulação Brasileira de Indígenas Jornalistas (Abrinjor), explicou que o manual é fruto da cooperação de mais de 40 povos indígenas. “Este manual carrega essa diversidade e reafirma nosso compromisso com uma comunicação construída a partir dos nossos territórios, das nossas línguas e dos nossos modos de contar histórias.”
A primeira edição do Poranga Marandúa foi editada pela Organização Indígena Instituto Kaingáng (Inka) e está disponível online gratuitamente. O nome Poranga Marandúa, em Nheengatu, significa "boa notícia". Após um ano e meio de desenvolvimento, a chegada do manual é vista como uma conquista pela Abrinjor.
Segundo a jornalista Sônia Kaingáng, a inovação deve servir não apenas como ferramenta de trabalho para jornalistas, mas também como instrumento educativo. “A gente precisa destacar que chegamos aqui pela via da educação.”
Para Andreza Baré, pesquisadora e comunicóloga, o manual oferece uma oportunidade para currículos de cursos de jornalismo incorporarem uma abordagem antirracista ao retratar povos indígenas.
Samela Sateré Mawé, assessora da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), acredita que a iniciativa incentivará a presença de mais indígenas em espaços de comunicação. “Esse manual é uma porta que vai se abrir para dentro do movimento indígena.”
Fonte: Agência Brasil