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Seletivo do IBGE está com inscrições abertas: mas o que faz um recenseador?

Para responder essa dúvida, bastante comum, conversamos com Jarlene Soares, que atuou como recenseadora no Censo Demográfico de 2010


Funcionário do IBGE

Funcionário do IBGE Foto: Divulgação

A partir de agosto, haverá 2.621 recenseadores pelas ruas do Piauí, aplicando os questionários do Censo Demográfico 2020 de casa em casa. Para contratar esses trabalhadores, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) realiza um processo seletivo, que está com inscrições abertas. Também são ofertadas 523 vagas para agentes censitários. Os interessados podem se inscrever até 24 de março no site cebraspe.org.br/concursos. Mas, afinal, o que faz e como é o dia a dia de um recenseador?

Para responder essa dúvida, bastante comum, conversamos com Jarlene Soares, que atuou como recenseadora no Censo Demográfico de 2010. Ela, que dava aulas de reforço na época, conciliou o trabalho de um turno com o ofício de recenseadora. “Pela manhã eu ia recensear e à tarde eu ensinava no reforço”, lembra. Todos os recenseadores passam por treinamento antes de ir a campo, para padronizar a conduta e, assim, garantir a precisão dos dados coletados.

Dedicando cerca de 5 horas diárias para coletar os dados, Jarlene concluiu dois setores censitários em dois meses de trabalho. Setor censitário é a área onde se localizam os domicílios e os estabelecimentos que são de responsabilidade de um recenseador. Ao concluir as visitas de um setor, o profissional pode escolher continuar ou não o trabalho de coleta em outros setores. “No meu caso, fiz somente dois porque os outros ficavam mais distantes da minha casa”, explica Jarlene.

O recenseador é a peça-chave do Censo. Esse profissional precisa ser recebido por, pelo menos, um residente de cada domicílio. “A maior dificuldade que a gente tem é não encontrar um morador. Houve casos em que tive que voltar nas residências cinco, seis vezes até encontrar alguém”, conta Jarlene.

Há flexibilidade nos horários de trabalho do recenseador, pois ele não necessita cumprir jornada fixa, sendo exigida apenas a disponibilização de 25h semanais para as visitas. É comum que os recenseadores trabalhem fora dos horários comerciais, quando é mais fácil encontrar as pessoas nos domicílios. “Eventualmente eu fazia visitas à noite ou aos finais de semana”, diz Jarlene.

No cotidiano da coleta de dados, o recenseador precisa estar preparado para imprevistos. Um desafio vivido por ela como recenseadora foi chegar a uma casa em que havia 18 moradores. “Tive que voltar lá umas quatro vezes, porque nenhuma das pessoas sabia dar as informações exatas sobre os demais e nunca estavam todos em casa”, lembra Jarlene. O correto registro dos dados é exigência do IBGE, que contrata, inclusive, profissionais para realizarem a supervisão e garantia de qualidade das informações, os agentes censitários.

O valor pago aos recenseadores é proporcional, entre outros fatores, ao número de questionários respondidos e ao número de pessoas recenseadas. Dessa forma, desafios como o vivido por Jarlene são recompensados pela remuneração. Além dessas variáveis, também entram na conta a quantidade de unidades visitadas e a taxa de remuneração dos setores censitários.

A operação censitária visa oferecer à sociedade um retrato fidedigno do país, dos estados e dos municípios. Dessa forma, é possível avaliar a nação que temos e planejar a nação que queremos, fornecendo subsídios para políticas públicas e para iniciativas privadas. Para Jarlene, valeu a pena trabalhar como recenseadora. “A gente pode ajudar o país e ainda conseguir uma boa remuneração. E não toma muito o seu tempo, não atrapalha se você estuda ou se trabalha em um turno só”, ressalta.  

Fonte: Ascom IBGE

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