Brasil

CONFISSÃO

Nos EUA, Flávio Bolsonaro quis se livrar da culpa ao pedir adiantamento sansões ao Brasil

Durante audiência nos EUA, Flávio Bolsonaro demonstra preocupação com prejuízos à sua candidatura e não com o Brasil; senador diz que este momento é o 'pior possível' para novas tarifas e que elas beneficiariam Lula

Da Redação

07 de julho de 2026 às 20:09 ▪ Atualizado há 47 minutos

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  • Flávio Bolsonaro discursou nos EUA contra novas tarifas a produtos brasileiros, pedindo adiamento da medida.
  • As tarifas são uma resposta a práticas comerciais consideradas irrazoáveis pelos EUA.
  • Flávio associou-se politicamente ao presidente Lula e mencionou a proximidade das eleições.
  • O senador e seu irmão Eduardo Bolsonaro já haviam apoiado sanções dos EUA contra o Brasil em 2025.
  • As tarifas impactaram profundamente a balança comercial Brasil-EUA, com sobrecarga de 50% sobre diversos produtos.
  • O governo brasileiro contestou as acusações e argumentou que o PIX e decisões do STF são assuntos internos.
  • Flávio enfatizou a preocupação com as eleições e não com os interesses econômicos do Brasil.
  • O governo brasileiro enviou uma resposta formal aos EUA defendendo suas práticas comerciais.

Eduardo e Flávio Bolsonaro nos EUA tentando desmanchar o que fizeram no verão passado
Eduardo e Flávio Bolsonaro nos EUA tentando desmanchar o que fizeram no verão passado

O senador Flávio Bolsonaro discursou nesta terça-feira (7) em audiência nos EUA contra o novo tarifaço sobre produtos brasileiros, defendendo o adiamento da medida. O discurso do senador ficou parecendo uma confissão de culpa com pedido de perdão por causa dos estragos que os pedidos para sanções contra o Brasil causaram na candidatura dele ao Planalto.

Os EUA decidem até 15 de julho se aplicarão novas tarifas adicionais ao Brasil, sob a justificativa de que o país adota práticas comerciais irrazoáveis. O governo brasileiro contestou as acusações e defendeu que o PIX e as decisões do STF são políticas internas que não justificam sanções comerciais.

Mostrando sua intenção meramente politica na audiência, Flávio Bolsonaro, no discurso, criticou o presidente Lula. A participação de Flávio ocorreu por inscrição aberta no órgão americano responsável pelo comércio exterior, enquanto o governo federal do Brasil enviou apenas observadores para acompanhar a audiência.

Flávio Bolsonaro estava acompanhado do irmão, o deputado cassado Eduardo Bolsonaro, que está foragido da Justiça brasileira nos Estados Unidos, e fez o pronunciamento em inglês.

Deixando claro que a preocupação era só com as eleições de outubro, Flávio foi direto ao ponto logo no início do seu discurso: "O Brasil realizará eleições presidenciais em outubro. Em apenas 90 dias, o cenário político do país mudará completamente, e impor agora uma tarifa, que seria difícil de reverter, recompensaria os responsáveis pelas ações em questão", disse, tentando esquivar-se da culpa em pedir sansões econômicas dos EUA ao Brasil. Em 2025, ele e o irmão Eduardo Bolsonaro diziam ser os responsáveis em lutar por sanções ao Brasil e a autoridades brasileiras.

O primeiro tarifaço de Donald Trump contra o Brasil ocorreu em 6 de agosto de 2025. A medida, anunciada previamente em julho daquele ano, estabeleceu uma sobretaxa de 50% sobre cerca de 3.800 produtos brasileiros, incluindo café, calçados e carne bovina, afetando profundamente a balança comercial dos dois países. Os Bolsonaro assumiram publicamente a responsabilidade pelas sansões.

Na época, Eduardo Bolsonaro fez questão de dizer que estava lutando junto ao governo do EUA para prejudicar o Governo Lula. Ele e o irmão também fizeram questão de mostrar que tinham influência junto ao presidente dos Estados Unidos. E mostraram fotos e vídeos nas redes sociais afirmando isso.

Na mesma época deixaram claro que lutavam contra os interesses do governo brasileiro. Eduardo chegou a dizer que não se importava se o Brasil virasse "terra arrasada", mas ficaria satisfeito por ter de vingado das ações judiciais contra o clã Bolsonaro.

A ideia, com sansões ao Brasil, era fazer o governo Trump pressionar às instituições para ajudar o pai deles, o ex-presidente Jair Bolsonaro, a escapar da prisão por ter sido condenado por tentativa de golpe de estado. Na audiência desta terça-feira no EUA, o senador Flávio Bolsonaro também mencionou que este é o "pior momento possível" para a aplicação da medida e defendeu o adiamento.

"Punir aqueles que já arcaram com as consequências seria o pior momento possível para agir. Respeitosamente, peço a este país: não imponha tarifas ao Brasil. Preserve o sucesso desta parceria, cancele-a e vamos negociar", prosseguiu, tentando se afastar da culpa pelo novo tarifaço anunciado pelo governo de Donald Trump.

Flávio Bolsonaro parece ter descoberto muito tarde que quando ele e o irmão e seus seguidores incentivaram os EUA a impor punição ao Brasil, com aumento de tarifas, estavam cavando o buraco para enterrar suas pretensões políticas. Agora estão vendo o estrago na candidatura de Flávio porque o povo brasileiro rendeu que a culpa pelas medidas contra o Brasil é deles. Eles, deliberadamente, iniciaram essa luta contra o próprio país. 

Em outro momento do discurso na audiência desta terça-feira nos EUA, Flávio lembrou que a imposição de novas tarifas não seria o caminho adequado para pressionar o Brasil e citou haver "grandes chances" de uma mudança no governo brasileiro em janeiro. Flávio Bolsonaro, mais uma vez, demonstrou claramente que estava preocupado apenas com a eleição e não com os interesses das empresas brasileiras e do Brasil.

"Acho que vocês estão usando as tarifas (...) para atingir o objetivo que desejam. Se a intenção é pressionar o Brasil, esse não é o jeito correto de fazer isso. Essa não é a forma adequada. Existem instrumentos direcionados que podem ser usados contra indivíduos", disse Flávio sugerindo outras maneiras do governo norte-americano pressionar e prejudicar o Governo Lula antes das eleições de outubro.

Resposta formal

O governo brasileiro já tinha apresentado neste mês uma resposta formal à conclusão da investigação dos Estados Unidos sobre a proposta do novo tarifaço. Na época, governo americano acusou o Brasil de práticas "irrazoáveis" que "oneram ou restringem" o comércio com os norte-americanos.

Em documento enviado ao governo americano e assinado pelo chanceler Mauro Vieira, o Brasil argumentou que o USTR não comprovou que políticas brasileiras sejam discriminatórias ou criem barreiras ao comércio dos EUA.

O USTR é o órgão responsável por formular e negociar a política comercial dos EUA. Ele conduz investigações sobre práticas consideradas prejudiciais ao comércio americano e pode recomendar medidas como a imposição de tarifas.

O Executivo também afirmou que críticas americanas ao PIX e a decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) não são questões comerciais, mas divergências sobre políticas internas brasileiras.

Segundo o Itamaraty, usar esses temas para justificar sanções comerciais ampliaria excessivamente o alcance da legislação americana usada na investigação. Os traidores da Pátria precisam entender de uma vez por todas que o Brasil é grande, soberano, não está sozinho e não é colônia e nem quintal dos EUA.

Fonte: Agências de notícias