Brasil

IMPACTO DO TURISMO

Ruído de barcos e turistas afeta comunicação dos peixes

Pesquisadores da UFPE ressaltam impacto negativo na reprodução e alimentação das espécies marinhas

Teresinha Ferreira

20 de julho de 2026 às 06:12 ▪ Atualizado há 15 horas

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  • Um estudo da UFPE analisou o impacto do barulho humano na comunicação entre peixes em Pernambuco.
  • Ruídos de embarcações e turistas prejudicam a alimentação, reprodução e defesa de território dos peixes.
  • A pesquisa foi realizada nas praias de Carneiros e Tamandaré e detectou "mascaramento acústico".
  • Em áreas com mais turistas, três dos nove tipos de sons de peixes foram reduzidos.
  • Os recifes são essenciais para a pesca e o turismo, e esse impacto pode afetar a economia local.
  • Medidas simples, como organizar rotas de barcos, podem mitigar esses efeitos.
  • O problema não se limita a Pernambuco e pode afetar outros recifes brasileiros.
  • Xavier enfatiza a importância de integrar o componente acústico no planejamento turístico e a falta de limites de ruído padronizados.

Agência Brasil Estudo, publicado na revista científica Neotropical Ichthyology e divulgado pela Agência Bori, foi conduzido em duas praias do litoral pernambucano
Estudo, publicado na revista científica Neotropical Ichthyology e divulgado pela Agência Bori, foi conduzido em duas praias do litoral pernambucano

O barulho de motores de embarcações e a presença de turistas comprometem a comunicação sonora entre peixes, segundo estudo da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Essa interferência pode prejudicar a alimentação, reprodução e defesa de território dos peixes, e é uma ameaça à saúde dos recifes de corais.

O estudo, publicado na revista científica Neotropical Ichthyology e divulgado pela Agência Bori, foi conduzido em duas praias do litoral pernambucano: Carneiros, na APA de Guadalupe, e Tamandaré, na APA Costa dos Corais. Nessas localidades, foram monitorados os ruídos provocados por atividades humanas e os sons emitidos por peixes.

Conforme explicou Túlio Freire Xavier, do Laboratório de Pesquisa em Ictiologia e Ecologia de Recifes da UFPE, a pesquisa detectou redução nos sons de peixes em locais com maior poluição sonora. Isso ocorre porque o ruído encobre os sinais acústicos, ou porque os peixes ajustam sua comunicação.

Os peixes, que utilizam sons para reprodução e alimentação, viram parte de seus sons suprimidos. O fenômeno conhecido como "mascaramento acústico" pode alterar comportamentos essenciais para a sobrevivência.

O levantamento incluiu gravações subaquáticas e censos visuais. Foram identificadas de 18 a 23 espécies de peixes, com quase 1,4 mil indivíduos apenas em Carneiros. Em três dos nove tipos de sons captados, houve redução em áreas mais movimentadas por turistas.

Xavier alertou sobre o impacto econômico, dado que os recifes são cruciais para a pesca artesanal e o turismo local. Ele apontou que medidas simples, como organizar rotas de barcos e diminuir velocidades, podem mitigar esses efeitos.

Embora o estudo tenha sido realizado em Pernambuco, o impacto do ruído humano pode se estender a outros recifes brasileiros, como Abrolhos e Fernando de Noronha. O especialista destacou a ausência de limites de ruído padronizados para proteção recifal e a importância de integrar o componente acústico no planejamento de atividades turísticas.

Fonte: Agência Brasil