Brasil

ERRO

Mulher descobre que está registrada como “presidente da República” há 24 anos

A técnica de enfermagem Aldenize Silva só descobriu o erro ao procurar emprego

Da Redação

20 de maio de 2026 às 11:56 ▪ Atualizado há 40 minutos

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  • Aldenize Ferreira da Silva, uma técnica de enfermagem, descobriu que está registrada por 24 anos como presidente da República em documentos trabalhistas.
  • A situação surgiu ao buscar emprego na Agência do Trabalhador de Jaboatão dos Guararapes, PE.
  • O registro equivocado também aparece na Carteira de Trabalho Digital, com salário inicial de R$ 201,60.
  • O problema está relacionado a um antigo trabalho na rede municipal, em que assumiu várias funções.
  • A prefeitura explicou que o erro ocorreu durante a transição do SEFIP para o e-Social.
  • Aldenize deverá procurar a Unidade de Gestão de Pessoas para resolver o problema.
  • Medidas foram tomadas para evitar repetições desse erro no futuro.

Técnica de enfermagem foi registrada em carteira de trabalho digital como presidente da República
Técnica de enfermagem foi registrada em carteira de trabalho digital como presidente da República

A técnica de enfermagem Aldenize Ferreira da Silva descobriu, na semana passada, que consta há 24 anos e 2 meses como ocupante do cargo de presidente da República em registros trabalhistas ligados à Prefeitura de Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife (PE).

O caso veio à tona após ela procurar emprego na Agência do Trabalhador do município. Segundo Aldenize, o atendente se surpreendeu ao consultar os dados dela no sistema.

“O rapaz pega meu CPF, coloca lá no sistema. Ele olha para mim e diz assim: ‘a senhora está de brincadeira comigo, né?’. Aí eu disse: ‘de brincadeira? Como assim?’. Ele disse: ‘como é que a senhora trabalha há 24 anos e 2 meses e a senhora tem o cargo de presidente da República desde o dia 14 de março de 2002? E a senhora tem a cara de pau de vir aqui atrás de emprego’”, relatou ao g1.

O registro também aparece na Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) Digital da trabalhadora, com salário inicial de R$ 201,60. Conforme os dados, o vínculo estaria relacionado ao período em que ela trabalhou como merendeira na rede municipal entre 2000 e 2002.

Aldenize contou que, após a descoberta, ficou preocupada com possíveis consequências futuras.

“Eu disse: ‘não, agora eu vou ter que tirar uma foto desse documento’. Ele disse: ‘a senhora não pode, a senhora tem que ter [o registro]’. Porque a senhora está alegando que não tem emprego. Mas aqui está constando, está em aberto. Faz 24 anos e 2 meses que a sua ficha está em aberto. Isso pode gerar um problema muito sério com a senhora. Mais futuramente, se a senhora necessitar de uma aposentadoria, não vai conseguir”, afirmou.

A técnica de enfermagem disse que trabalhou na Escola Municipal Rural Elizabeth Menezes, na comunidade de Manassu, exercendo diversas funções.

“Quando entrou outro prefeito, nós fomos comunicados que não íamos trabalhar mais, por conta do outro prefeito, que ia chamar outras pessoas. Mas isso não chegou a ser assinado na minha carteira. [...] O serviço que eu prestava era em uma escola na zona rural. Eu era merendeira, cozinheira, eu era tudo lá. Serviços gerais”, explicou.

Segundo Aldenize, o erro pode estar dificultando sua recolocação no mercado de trabalho.

“Acho que eu não estou arrumando emprego mesmo por conta desse problema, porque vai ver que [o vínculo] está em aberto”, disse.

Ela afirmou ainda ter se sentido humilhada após a situação.

“Na hora me deu uma pane, assim, que eu me senti mal. Pensei em mil coisas, só pensei em coisas que poderiam acontecer, de eu ir presa, porque isso é falsificação. Não (fui) eu que provoquei isso aí. [...] Me senti constrangida, me senti como se eu fosse um palhaço fazendo graça pra um público”, contou.

A Prefeitura de Jaboatão dos Guararapes informou que o problema ocorreu durante a transição do antigo Sistema Empresa de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (SEFIP) para o e-Social.

Segundo a gestão municipal, houve o registro equivocado de servidores ocupantes de “cargo comissionado genérico como Presidente da República” em algumas bases de dados.

A prefeitura orientou que Aldenize procure a Unidade de Gestão de Pessoas (UGEP), no Palácio da Batalha, para regularizar a situação. Também informou que adotou medidas internas para evitar novos casos semelhantes.

Fonte: g1



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