Brasil

LUTO NO JORNALISMO

Morre o jornalista Renato Machado, ex-apresentador da Globo

Ex-apresentador do Bom Dia Brasil e correspondente internacional da TV Globo teve mais de quatro décadas de carreira e marcou a história do jornalismo brasileiro

Natalia Costa

16 de julho de 2026 às 10:43 ▪ Atualizado há 1 hora

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  • Renato Machado faleceu aos 83 anos na Clínica São Vicente, no Rio de Janeiro; a causa da morte não foi divulgada.
  • Com uma carreira de mais de quatro décadas na TV Globo, destacou-se como apresentador do "Bom Dia Brasil" de 1996 a 2010.
  • Foi editor-chefe do telejornal e participou da reformulação para um formato mais dinâmico.
  • Atuou como correspondente internacional em Londres, cobrindo eventos históricos como Chernobyl e os atentados em Paris de 1986.
  • Trabalhou também no "Jornal da Globo", "RJTV" e na bancada do "Jornal Nacional".
  • Renato começou sua carreira no "Jornal do Brasil" em 1969 e ingressou na Globo em 1982, cobrindo a Guerra das Malvinas.
  • Deixou a Globo em 1990 para a TV Manchete, retornando em 1991 para coberturas históricas como o impeachment de Fernando Collor.
  • Produziu uma série sobre vinhos na Provença para o "Jornal Hoje" em 2014, aliando jornalismo à sua paixão por vinhos.
  • Ao retornar ao Brasil em 2016, atuou como repórter especial do "Globo Repórter", abordando temas sociais importantes.
  • Reconhecido nacional e internacionalmente, deixou um legado no jornalismo brasileiro, influenciando gerações de comunicadores.

TV Globo/G1 Jornalista Renato Machado
Jornalista Renato Machado

O jornalista Renato Machado morreu na manhã desta quinta-feira (16), aos 83 anos, na Clínica São Vicente, localizada na Gávea, Zona Sul do Rio de Janeiro. A causa da morte não foi divulgada. Considerado um dos maiores nomes do telejornalismo brasileiro, ele construiu uma carreira de mais de quatro décadas na TV Globo, onde atuou como apresentador, correspondente internacional e repórter especial.

Renato Machado ficou marcado principalmente pela apresentação do Bom Dia Brasil, telejornal que comandou entre 1996 e 2010. Durante esse período, também exerceu a função de editor-chefe e participou da reformulação do programa, que passou a adotar um formato mais dinâmico, com maior interação entre os apresentadores, entradas ao vivo de repórteres e comentaristas e um uso mais amplo do estúdio.

Ao longo da trajetória na TV Globo, Renato também apresentou o Jornal da Globo e o RJTV, integrou a bancada do Jornal Nacional e atuou como correspondente internacional em Londres. Seu trabalho lhe rendeu reconhecimento nacional e internacional, incluindo uma indicação ao Emmy Internacional.

A carreira de Renato Machado começou em 1969, quando ingressou como repórter no Jornal do Brasil. Em 1982, passou a integrar a equipe da TV Globo, onde participou da cobertura da Guerra das Malvinas, um dos primeiros grandes desafios profissionais na emissora.

No ano seguinte, tornou-se correspondente em Londres. Durante esse período, acompanhou acontecimentos históricos de repercussão mundial, como os atentados terroristas em Paris, em 1986, e o desastre nuclear de Chernobyl. Em 1988, retornou ao Brasil para atuar como repórter especial.

Em 1990, Renato deixou a TV Globo para trabalhar na TV Manchete, onde cobriu a Guerra do Golfo. Um ano depois, voltou à emissora e participou da cobertura de fatos marcantes da história brasileira, entre eles o impeachment do então presidente Fernando Collor e a morte do piloto Ayrton Senna.

Em depoimento ao Memória Globo, Renato Machado definiu o telejornalismo como um aprendizado permanente. 

"Para ser telejornalista é necessário um acúmulo de conhecimento. É saber curiosidades sobre grua, tráfego de câmera, enquadramento, cores, texto, edição. É uma troca. Um universo de aprendizado que, a cada dia, você vê que você erra", disse.

Em setembro de 2011, o jornalista retornou a Londres como correspondente internacional da TV Globo. De lá, acompanhou eventos de grande impacto, como os ataques terroristas ao jornal francês Charlie Hebdo, em 2015, os 95 anos de Nelson Mandela e a crise econômica na Gr6écia.

Foi também nesse período que uniu o jornalismo a uma de suas maiores paixões: o vinho. Em 2014, produziu para o Jornal Hoje uma série especial sobre a região da Provença, na França, abordando a produção da bebida, a gastronomia e aspectos culturais da região.

“Nossa última matéria é a minha favorita, porque falamos sobre vinho. A Provença é uma região produtora de vinhos e também é corredor de um vento famoso que vem dos Alpes, o mistral. Esse vento sopra algumas vezes por ano e é gelado: as pessoas sempre levam um casaco, caso ele apareça. Entre as particularidades dele está a característica de afastar o vento quente e limpar as vinícolas, conservar melhor a uva”, disse Renato na época.

Em janeiro de 2016, Renato Machado deixou o posto de correspondente em Londres, sendo sucedido pela jornalista Cecília Malan. De volta ao Brasil, passou a atuar como repórter especial do Globo Repórter. Um de seus trabalhos de maior destaque foi a reportagem "A arte como passaporte", exibida em 2016, que mostrou como projetos de música e dança transformavam a vida de crianças e famílias em situação de vulnerabilidade social. O programa foi indicado ao Emmy Internacional na categoria Atualidade.

Com uma carreira marcada pela credibilidade, experiência e cobertura de alguns dos principais acontecimentos da história recente, Renato Machado deixa um legado para o jornalismo brasileiro e uma trajetória que influenciou gerações de profissionais da comunicação.

Fonte: G1 Globo