Brasil

Mobilidade social no Brasil

Estudo revela impacto de gênero, raça e origem na mobilidade social

Atlas da Mobilidade Social destaca desigualdades estruturais persistentes no Brasil

Teresinha Ferreira

31 de julho de 2026 às 00:02 ▪ Atualizado há 4 horas

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  • Gênero, raça e origem familiar são os principais fatores limitadores da mobilidade social no Brasil.
  • Entre jovens brancos pobres, 36,3% permanecem na mesma faixa de renda na vida adulta; para jovens não brancos, essa taxa é de 51,6%.
  • Disparidades de gênero também são evidentes: 32,9% dos homens pobres permanecem pobres, contra 65,1% das mulheres.
  • Filhos de pais pobres têm 48% de chance de permanecer na mesma condição econômica.
  • Apenas 8,32% conseguem ascender aos 25% mais ricos.
  • As oportunidades sociais mudaram pouco entre gerações, com um ligeiro aumento na mobilidade para os nascidos entre 1988 e 1990.
  • Regiões Sul, Sudeste e partes do Centro-Oeste têm melhores chances de mobilidade do que Norte e Nordeste.
  • Assis Brasil (AC) e Ponte Serrada (SC) destacam-se por suas diferenças na taxa de mobilidade entre gerações.
  • Educação é um fator chave para aumentar a mobilidade social.
  • O estudo foi baseado no artigo "Intergenerational Mobility in the Land of Inequality".

Agência Brasil Gênero, raça e origem familiar são apontados como os principais fatores que limitam a mobilidade social no Brasil
Gênero, raça e origem familiar são apontados como os principais fatores que limitam a mobilidade social no Brasil

Gênero, raça e origem familiar são apontados como os principais fatores que limitam a mobilidade social no Brasil, conforme o Atlas da Mobilidade Social divulgado nesta sexta-feira (31). Desenvolvido pelo Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (Imds) em parceria com o grupo Prospera Lab, o Atlas oferece um panorama das desigualdades estruturais no país.

O levantamento mostra que entre jovens brancos nascidos em famílias entre os 25% mais pobres, 36,3% permanecem nessa faixa de renda na vida adulta. Para jovens não brancos, essa probabilidade sobe para 51,6%. A disparidade também afeta o gênero: 32,9% dos homens de famílias pobres permanecem no mesmo estrato, enquanto para as mulheres a proporção atinge 65,1%.

A origem familiar é outro fator crucial: filhos de pais nos 25% mais pobres têm 48% de chance de permanecer neste grupo na vida adulta. A ruptura desse ciclo é rara, com apenas 8,32% alcançando os 25% mais ricos.

O Atlas revela que as oportunidades sociais não mudaram consideravelmente entre gerações. Jovens nascidos de 1983 a 1987 tinham 7,9% de chance de ascender aos 25% mais ricos, cifra que aumentou ligeiramente para 8,8% para aqueles nascidos entre 1988 e 1990.

As disparidades regionais são marcantes. Enquanto as regiões Sul, Sudeste e partes do Centro-Oeste apresentam melhores chances de mobilidade, o Norte e o Nordeste sofrem com elevadas taxas de pobreza persistente entre gerações. Em Assis Brasil (AC), 84,4% dos jovens de famílias pobres permanecem na mesma faixa de renda, contrastando com Ponte Serrada (SC), onde essa taxa é de apenas 2,13%.

A educação surge como fator determinante para elevar a mobilidade social. Municípios com melhores indicadores educacionais mostram maior possibilidade de ascensão econômica, segundo o Atlas.

O estudo detalha que os dados e a metodologia são baseados no artigo "Intergenerational Mobility in the Land of Inequality" (Britto et al., 2025). O relatório completo está disponível online.

Fonte: Agência Brasil