
Em entrevista à Rádio Itatiaia nesta sexta-feira (29), em Minas Gerais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que não pretende acompanhar o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF), declarando que “tem coisa melhor para fazer”. Segundo o presidente, o processo será decidido com base em provas, depoimentos e investigações da Polícia Federal, sem necessidade de acompanhamento por parte de autoridades ou da opinião pública. Lula destacou que o julgamento deve respeitar a presunção de inocência e que qualquer cidadão, inclusive Bolsonaro, deve apresentar sua defesa de acordo com a lei.
Lula reiterou o descarte a qualquer possibilidade de anistia ao ex-presidente, afirmando que a discussão não faz sentido em um momento em que Bolsonaro ainda não foi sequer condenado. Para ele, cabe ao ex-mandatário apresentar sua defesa dentro da legalidade, assim como qualquer cidadão. “A Justiça deve valer para todos”, destacou. Ao reforçar sua confiança nas instituições, Lula afirmou que o julgamento de Bolsonaro deve seguir os autos e que “ninguém de dentro ou de fora do Brasil pode interferir” na decisão do Supremo.
Tal pai, tal filho
O presidente também se posicionou sobre Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho de Jair Bolsonaro, e fez duras críticas ao deputado, a quem chamou de “traidor da pátria”, e defendeu a abertura de um processo de cassação de seu mandato. Segundo Lula, o parlamentar articulou medidas contra o Brasil em viagens aos Estados Unidos, incluindo a proposta de um “tarifaço” de até 50% sobre exportações brasileiras e a aplicação da Lei Magnitsky, usada para sancionar autoridades estrangeiras. O presidente afirmou que esse tipo de atuação não pode ser tolerado por parte de um deputado eleito e pediu à Câmara que avance na análise do caso.
A cobrança de Lula reforça declarações que já vinham sendo feitas desde meados de agosto, quando em cerimônia em Goiana (PE) e em reunião ministerial, ele exigiu providências contra Eduardo, classificando sua postura como uma das maiores traições da história nacional. No Congresso, pedidos de cassação já foram apresentados por parlamentares como Lindbergh Farias (PT-RJ) e Erika Hilton (PSOL-SP), que também acusam o deputado de agir contra os interesses do país. Eduardo está nos Estados Unidos desde março e não reassumiu o mandato após o fim de sua licença, em julho.
Para o presidente, a prioridade agora é manter a estabilidade institucional, ao mesmo tempo em que cobra uma resposta firme da Câmara diante da conduta de Eduardo Bolsonaro, que, segundo ele, comprometeu a imagem e a soberania do Brasil no exterior.
Fonte: Brasil 247