Brasil

CNDH CONTRA TOLERANCIA

CNDH critica impacto do Programa Tolerância Zero no Rio

Conselho pede suspensão de medidas contra camelôs na orla da cidade

Teresinha Ferreira

25 de julho de 2026 às 09:01 ▪ Atualizado há 1 hora

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  • O CNDH manifestou preocupação com o Programa Tolerância Zero da Prefeitura do Rio de Janeiro.
  • Destacam-se alegações de violações de direitos humanos na implementação do programa, sobretudo contra vendedores ambulantes.
  • O CNDH apoia ações do MPF para suspender partes do Decreto Municipal nº 58.256/2026.
  • O conselho critica que a abordagem repressiva estigmatiza trabalhadores ambulantes e promove exclusão social nas áreas turísticas.
  • Há críticas à falta de adesão do município ao TAGP e à ausência de um Plano de Gestão Integrada.
  • Relatos de abuso de força em fiscalizações, afetando populações vulneráveis como migrantes e crianças, são apontados.
  • O CNDH recomenda a criação de um diálogo para políticas urbanas inclusivas e a prevenção do uso excessivo da força.
  • A prefeitura justifica o programa pelo combate ao crime organizado e movimentação de estruturas clandestinas.

Agência Brasil CNDH, o combate ao crime organizado não deve estigmatizar os trabalhadores ambulantes
CNDH, o combate ao crime organizado não deve estigmatizar os trabalhadores ambulantes

O Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH) manifestou nesta sexta-feira (24) preocupação sobre a implementação do Programa Tolerância Zero, conduzido pela Prefeitura do Rio de Janeiro. O órgão destaca que as ações, voltadas ao ordenamento de vendedores ambulantes na orla, têm gerado violações de direitos humanos.

Em apoio às medidas do Ministério Público Federal (MPF), o CNDH solicita a suspensão de partes do Decreto Municipal nº 58.256/2026, que regulamenta o programa, especialmente no que tange aos ambulantes.

Segundo o CNDH, o combate ao crime organizado não deve estigmatizar os trabalhadores ambulantes. O conselho ressalta que a abordagem repressiva e o uso da expressão "tolerância zero" promovem exclusão social, afetando populações vulneráveis nas praias do Leme, Copacabana, Ipanema e Leblon.

O CNDH critica a falta de adesão do município ao Termo de Adesão à Gestão de Praias (TAGP) e a falta de um Plano de Gestão Integrada (PGI), essenciais para a gestão compartilhada das áreas, além de definir que o comércio ambulante é fundamental para a subsistência de diversas famílias, sendo uma atividade legalmente reconhecida.

Ainda, o conselho aponta denúncias de violência durante as fiscalizações, com relatos de abuso de força contra ambulantes, incluindo mulheres migrantes e crianças, conforme declara o Movimento Unido dos Camelôs (Muca). Tais ações, se confirmadas, configuram graves violações de direitos humanos.

O CNDH destaca a necessidade de criação de um diálogo permanente para formular políticas urbanas inclusivas e prevenir o uso excessivo da força. A ausência de políticas específicas para minorias ainda ignora compromissos internacionais do Brasil.

Paralelamente, a prefeitura alega que o objetivo é desarticular atividades ilegais vinculadas ao crime organizado. Segundo o prefeito Eduardo Cavaliere, a operação mira estruturas clandestinas que movimentam cerca de R$ 100 milhões anuais e envolve aproximadamente 1 mil ambulantes.

Rio de Janeiro (RJ), 08/07/2026 – Camelôs protestam contra decreto da prefeitura do Rio de Janeiro que restringe o comércio ambulante na cidade, ato ocorre em frente a prefeitura, na região central da capital fluminense. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Camelôs protestam contra decreto da prefeitura do Rio de Janeiro que restringe o comércio ambulante na cidade. Foto: - Tomaz Silva/Agência Brasil

Fonte: Agência Brasil