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VIROU EVANGÉLICO

Após virar pastor, 'Canibal de Garanhuns' pede prisão domiciliar humanitária à Justiça

Defesa alega quadro de saúde grave e irreversível; condenado por assassinato brutal de adolescente em 2012 cumpre pena em presídio de Pernambuco

Por Isabel Fonseca

19 de abril de 2026 às 10:15 ▪ Atualizado há 4 horas

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  • Jorge Beltrão Negromonte da Silveira, conhecido como “canibal de Garanhuns”, pediu prisão domiciliar humanitária devido à saúde debilitada.
  • A defesa alega cegueira total por glaucoma, suspeita de AVC, esquizofrenia e dependência total de terceiros.
  • Silveira foi condenado por homicídio qualificado e ocultação de cadáver em um crime chocante de 2012.
  • Alega ter se convertido ao evangelismo na prisão e busca redenção.
  • Pedido de prisão domiciliar está em análise pela Justiça de Pernambuco, considerando saúde, tempo de pena, comportamento e condições pessoais.
  • O caso reacende debates sobre direitos humanos e a gravidade dos crimes cometidos.

Jorge Beltrão Negromonte da Silveira
Jorge Beltrão Negromonte da Silveira

Condenado por um dos crimes mais chocantes da história recente do país, Jorge Beltrão Negromonte da Silveira, de 64 anos, conhecido como “canibal de Garanhuns”, solicitou à Justiça de Pernambuco autorização para cumprir o restante da pena em prisão domiciliar humanitária.

A defesa sustenta que o detento apresenta um quadro de saúde “grave, progressivo e irreversível”, incompatível com a permanência no sistema prisional. Segundo os advogados, ele sofre de cegueira bilateral total causada por glaucoma neovascular, além de suspeita de acidente vascular cerebral (AVC), com perda de força e sensibilidade em parte do corpo.

O pedido também menciona diagnóstico de esquizofrenia, com episódios de alucinações e discurso persecutório, exigindo uso contínuo de medicação psiquiátrica. De acordo com o advogado Renato Vilela, Silveira depende integralmente de terceiros para atividades básicas, como alimentação, locomoção e higiene.

Diante desse cenário, a manutenção do preso no regime fechado configura tratamento cruel, desumano e degradante, em violação aos princípios da dignidade da pessoa humana.

Crime que chocou o país

Silveira foi condenado a 21 anos de prisão por homicídio qualificado, vilipêndio e ocultação de cadáver, após assassinar a adolescente Jéssica Camila da Silva Pereira, de 17 anos, em 2012, em Olinda. O caso ficou conhecido nacionalmente como “os canibais de Garanhuns”.

De acordo com a sentença, o crime foi planejado e executado com a participação de duas mulheres — Isabel Cristina Pires da Silveira e Bruna Cristina Oliveira da Silva, também condenadas. A vítima foi atraída até a residência do grupo por meio de artifícios, sem chance de defesa.

Após o assassinato, partes do corpo foram manipuladas e ocultadas para dificultar a investigação. O próprio Silveira admitiu, à época, a prática de canibalismo como parte de um suposto “ritual de purificação”.

Conversão religiosa no presídio

Cumprindo pena na Penitenciária Professor Barreto Campelo, na Ilha de Itamaracá, o condenado afirma ter passado por uma transformação espiritual. Segundo ele, tornou-se evangélico após a chegada ao presídio e atualmente participa de atividades religiosas.

Quero andar nas ruas de cabeça erguida. Vou abordar as pessoas e dar meu testemunho para que ninguém cometa os mesmos erros. Quero mostrar que a vida de qualquer pessoa possa ser transformada.

Ele também atribui a própria condição de saúde a uma espécie de punição divina. Silveira afirma que sua trajetória criminosa teria sido influenciada por traumas psicológicos desde a infância, além de “pensamentos ruins” que, segundo ele, dominavam sua mente na época dos crimes.

Análise judicial

O pedido de prisão domiciliar humanitária está em análise pela Justiça de Pernambuco. A decisão deve considerar fatores como o estado de saúde do condenado, o tempo de pena já cumprido, o comportamento carcerário e as condições pessoais do detento.

Enquanto isso, o caso reacende debates sobre os limites entre direitos humanos de pessoas privadas de liberdade e a gravidade de crimes cometidos — especialmente em situações que marcaram profundamente a sociedade brasileira.

Fonte: O Globo