PROA E PROSA

Na Passagem, o jurista dos Pastos Bons

As entidades carinhosamente chamadas de Academia, desde a Grécia de Platão


Celso Barros

Celso Barros Foto: Pt wikipedia

As entidades carinhosamente chamadas de Academia, desde a Grécia de Platão, espalham-se pelas urbs brasileiras na forma de entidades que aspiram a grandeza humana pelo conhecimento cultivado.

Inicialmente instituições em nível nacional-geral, a exemplo do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro – IHGB, depois a Academia Brasileira de Letras – ABL. Há delas atuando no escopo das Ciências, das Artes. As unidades federadas seguiram-lhe o exemplo, instituindo suas academias. Depois regiões e municipalidades aspiraram por seus grêmios culturais e hoje centenas de unidades municipais-citadinas têm sodalícios referidos ao labor escritural-literário e afins.

Há quem se posicione sobre essa expansão considerando-as infecundas, talvez uma deterioração da própria expressão vocabular Academia. As pequenas comunas seriam “pobres” de valores acumulados e acumuláveis... Relativizo essa colocação. Discordo, porém, dos termos em que alguns põem a questão, com viés de preconceito, antepondo certa hierarquização valorativa em termos de manifestações da genialidade humana. As cidades pequenas estariam numa espécie de limbo sob camadas de atraso.

Que fazem de imediato essas instituições? Contemplam as suas singularidades na imersão dos acervos e tradições de cada lugar e região e as fazem iluminar e vibrar em contextos mais amplos. Em geral todas buscam uma dinâmica de atualidade em seu papel, consoante as emergências e exigências do templo que flui, desafiando as condições de transmissão do conhecimento dado e da inovação nesse campo vivo da experiência social-histórica.

 São mais de uma dezena delas, no Piauí. E no Ceará e Maranhão sobe a dezenas o seu número. De uma parte, espaços que se fazem referência e de promoção de singularidades localizadas em sua vizinhança; De outra, núcleos locais que potencializam a capilarização de ideias, falas e literaturas do mundo grande; enfim, em tudo, a história, a cultura, as identidades, num festim fecundador.

Aqui em Teresina tem um cidadão de muita grandeza, Celso Barros Coelho, um jurista e professor dos mais respeitados. Um ícone cultural, aliás, vice-decano e ex-presidente da Academia Piauiense de Letras. Ora, Barros Coelho nasceu no município maranhense de Pastos Bons, tronco de quase cem outras municipalidades, todas orgulhosas de seu ilustre e ilustrado filho.

Nada mais que oportuno e necessário, pois, que Pastos Bons tenha sua Academia e foi o próprio Celso que a articulou e é o seu presidente, clamando a que outros o secundem. Cabotinismo? Claro que não. É o grande filho liderando a promoção, da maneira mais interessante, da grandeza cultural e outros valores de Humanidade.

Agora, o referido jurista Celso Barros Coelho é chamado a integrar, também, a Academia de Passagem Franca, municipalidade constituída por separação política, histórica, de Pastos Bons, e ciosa dos valores e expressões comuns que unem uma e outra, inclusive de ordem familiar. Os Pereira Franco, Fernandes Lima, Coelho, Araújo, Alencar, e  famílias índio-africanas, entre os mais enraizados, formam a base humana e a própria gentilidade fundadora do lugar.

Coelho foi diplomado na Academia Passagense como titular da Cadeira 23, cujo patrono é José Vasco de Sousa Coelho, homem que nasceu e vagou pelos desvãos dos Pastos Bons, depois plantou, criou, vivendo quase um século de experiências cujas lembranças se fazem úteis.

Em reunião na escola Estado do Paraná, uma das mais longevas escolas de Passagem Franca, dia 25 de julho, Celso Barros recebeu seu diploma de membro vitalício de mais uma Academia de Letras, porque aquelas “nesgas de sertão” são um alvo do seu apego telúrico, e ele, acadêmico, destacado profissional do Direito, tem o afeto do sertão, por sua origem e grandeza de homem que serve ao público de variada república.

Os Coelho do atual sul do Maranhão – dizem as narrativas disponíveis – têm avoengos na “Fazenda da Paulista”, hoje sede do município de Paulistana, nos extremos coloniais do Piauí, Pernambuco e Bahia, vizinhanças do rio São Francisco. Enramaram-se sobretudo na direção de Oeste, vales do Gurgueia, Alto Itapecuru, Manuel Alves Grande e Tocantins.

   O espaço de dilatação dos Coelho – sobrenome que revela sua origem judaica – está pré desenhado na carta e foral da capitania de Duarte Coelho. Vejam só.

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Sobre a coluna

FONSECA NETO

FONSECA NETO

FONSECA NETO, professor, articulista, advogado. Maranhense por natural e piauiense por querer de legítima lei. Formação acadêmica em História, Direito e Ciências Sociais. Doutorado em Políticas Públicas. Da Academia Piauiense de Letras, na Cadeira 1. Das Academias de Passagem Franca e Pastos Bons. Do Instituto Histórico e Geográfico do Piauí.

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