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De direita

Direita? E sua manifestação agravada, a Extrema-Direita?


Posição

Posição Foto: Uol

Comum noutras partes do mundo, no Brasil, ao contrário, muito pouca gente se assume enquanto Direita. No jornalismo, então, é que ninguém quer nem mencionar essa forma vocabular e corriqueira de se caracterizar protagonistas no movimento da vida social.

Por quê? Porque, nas medianas formas de perceber, falar e significar as condutas pessoais e coletivas, ser de Direita é negativo e causa repugnância até por parte de quem nem sabe lidar com essa distinção, seja no campo da política ou de qualquer outro campo.

Direita? E sua manifestação agravada, a Extrema-Direita? Mais que um mero rótulo. Nestes séculos da chamada modernidade isso expressa a posição de ideias e de práticas sociais do sujeito atrasado, que odeia a possibilidade da construção humana como labor fraterno e solidário. Que recusa a paz como engenho da igualdade entre os humanos e a natureza como referência ordenadora a ser respeitada.

A distinção de Bobbio, tido como politólogo liberal, parece insuperável: se vês um faminto caído pelas ruas e te enche de ódio dele por “culpado” de sua própria condição excluída, és de Direita; diante de uma cena do tipo, teu espírito incandesce e te move a mudar a sociedade que criou o faminto, és de Esquerda.

Essa dualidade nas contingências do acontecer vincula o encaminhamento das escolhas humanas. No caso do Brasil real, “agora” mudado e submetido pelas garras formais de um fake-impostor que se diz “de Direita”, isso ganha vigor de verdade pelo ímpeto de ódio e mortificação praticados por ele e seus régulos reacionários.

Um rótulo que também abriga muita gente é o que vem no vocábulo Centro. Muitos afoitamente se dizem de Centro ou estimulam que de si assim o digam. Os jornalistas, sabem, em sua maioria, o que é e quem são os de Direita, mas, por cálculo, não utilizam a terminologia Direita, chamando de Centro a própria Direita. Difícil.

Pois agora uma figura inominável no campo da política e da sociedade se assume de Direita, e – golpista no poder – impõe programa de ação todo ele referenciado no que o mundo todo caracteriza como sendo a posição social e política da Direita.

E aí? E que significado tem isso no presente contexto brasileiro? Tem enorme significado como elemento pedagógico na dinâmica do processo social do país. Confere maior clareza na compreensão e no debate das questões relacionadas ao interesse coletivo. Que facilite o combate.

Um apoiador do fake-impostor não pode mais se furtar-camuflar quanto a sua condição direitista no encaminhamento da vida cidadã. Fica mais fácil viver assim. É uma chance de dissipação de certo tipo hipócrita que caracteriza uma faixa popular tida por “silenciosa”.

Há quem diga que a maioria das pessoas tem de tudo na composição de seu comportamento privado e público. Pode ser. Mas em questões decisivas para a vida social comum, saber uns dos outros a posição política é saudável. Saudável na elaboração do viver fraterno.

Essa impostura de Direita, faz-se consentânea e reiterativa de males muito arraigados na formação sócio histórica brasileira. A apartação social, filha de desigualdades hediondas herdadas da escravidão de indígenas e de africanos, é um projeto da Direita, que não cansa de renovar suas bases excludentes através do tempo, como que infensa a qualquer impulso mudancista.

A Direita em qualquer lugar e sobretudo no Brasil tem a violência como método. Seu Deus não é amor, seu Deus é um vingador cruel, ensina a matar. No Congresso, a Extrema Direita se chama “bancada da bala e da Bíblia”. A Direita abomina a democracia, porque esta repousa na possibilidade de construir o tecido social articulando grupos e pessoas diferentes; concepções diversas.

Enfim, agora que a inominável e asquerosa figura lembrou a todos que é de Direita, como ficam os camuflados que o apoiam e não assumem que são de Direita? Alguns dizem, entre tolos e espertos, para despistar, que essa distinção não teria mais sentido... Claro que tem sentido.

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Sobre a coluna

FONSECA NETO

FONSECA NETO

FONSECA NETO, professor, articulista, advogado. Maranhense por natural e piauiense por querer de legítima lei. Formação acadêmica em História, Direito e Ciências Sociais. Doutorado em Políticas Públicas. Da Academia Piauiense de Letras, na Cadeira 1. Das Academias de Passagem Franca e Pastos Bons. Do Instituto Histórico e Geográfico do Piauí.

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