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Quaresma e quarentena

Convém, no entanto, que possamos traçar um paralelo entre Quaresma e quarentena


Semana Santa

Semana Santa Foto: Divulgação

O período iniciado ontem é, na tradição católica (antes, cristã), o da Quaresma, definido pela liturgia como o “quadragesima dies” - o quadragésimo dia antes da Páscoa, na expressão em latim. É um período de preparação e de resguardo pelos cristãos. É igual período de tempo usado por muito tempo para isolar pessoas, lugares e animais que podem acarretar perigo de infecção. Evidentemente que, ao contrário da Quaresma, a quarentena hoje não se faz mais por 40 dias, mas por período de tempo bem menor, a depender de protocolos sanitários já conhecidos sobre determinadas patologias.

Convém, no entanto, que possamos traçar um paralelo entre Quaresma e quarentena – ambas as expressões decorrentes de práticas e tradições antigas. Nos dois casos, porém, com um fim que em si guarda a similaridade. Se a Quaresma busca uma purificação espiritual, a quarentena tem por fito a sanidade do corpo. E, nos dois casos, o resultado do resguardo será sempre positivo.

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O número 40, que remete à Quaresma e também à quarentena, é recorrente na tradição judaico-cristã. O dilúvio durou 40 dias e 40 noites; teve duração de 40 anos a jornada do povo hebreu à terra prometida; para receber o perdão de Deus, os habitantes da cidade de Nínive fizeram penitência por 40 dias; o profeta Elias caminhou 40 dias e 40 noites para chegar à montanha de Deus e Jesus, em sua preparação para o calvário, jejuou, rezou, meditou durante 40 dias e 40 noites.

Em comum, as narrativas bíblicas citadas oferecem ao leitor e ao crente judaico-cristão  ideia de purificação. Sim, todos os eventos desses períodos de 40 dias ou mesmo de 40 anos são de purificação e aprendizado. Não há como se imaginar que numa quarentena, em que se pede bem menos que a purificação do espírito, não possam as pessoas se doar para apreender lições.

Na tradição cristã, a Quaresma (“quadragésima die Christus pro nobis tradétur”) é o período de tempo em que, ao fim de 40 dias, Jesus Cristo será entregue por ao sacrifício para a salvação da Humanidade.

Não é razoável a indisposição das pessoas de manter um período de resguardo sanitário muito menor, se não para salvação da Humanidade, ao menos à proteção de pessoas no seu entorno. E olhe que neste caso de uma quarentena, não há aquele enorme sacrifício de Cristo em seus 40 dias de jejum e oração no deserto, em que ele estava sozinho, com Deus, o Pai, mas também com Satanás, o Decaído, a lhe tentar com frequência.

Nestes tempos quaresmais, é interessante que a gente pense bem sobre esse ato de doar-se com o afastamento, quando necessário. Mais que uma penitência, nos tempos atuais manter uma quarentena pode ser um ato de amor ao próximo.

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Sobre a coluna

Álvaro Mota

Álvaro Mota

Procurador do Estado e mestre em Direito pela Universidade Federal de Pernambuco - UFPE. Álvaro também é presidente do Instituto dos Advogados Piauienses.

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