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Cultivar árvores, cultivar amizade

Devemos cultivar amizades com o mesmo acuro dos que plantam e cuidam de árvores esperando delas sombra, frutos e madeira.


José Marti

José Marti Foto: Nova Cultura

Atribui-se a José Martí, o poeta e heroi da independência cuabana, uma frase sobre a ideia de que uma pessoa deve durante sua vida plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro. Parece adequado, contudo, se dizer que a completude da vida se faz também pelo permanente cultivo das amizades. Devemos cultivar amizades com o mesmo acuro dos que plantam e cuidam de árvores esperando delas sombra, frutos e madeira.

O uso da árvore como uma comparação com a amizade dá-se porque talvez nada possa ser melhor para se fazer paralelo entre essas duas dádivas. Amizades como árvores começam como semente, como algo frágil, que vai estabelecendo as suas raízes num solo e serão tão mais viçosas quanto mais férteis forem as terras em que estiverem.

A amizade prospera se o espaço em que ela se assenta for como o de um solo humoso, com boa fonte de água, com os cuidados adequados. Se isso não é possível se se ter, a amizade tende a esmaicer como uma árvore morrerá onde lhe faltam a fertilidade do solo, a água paa que suas sementes transfomem essa fertilidade em energia para se expandir. E se falta o cuidado, tudo rui. Não há árvores nem amizades que não sucumbam à falta de condições para que vicejem.

Penso nisso quando me vejo olhando os amigos que carrego até hoje – alguns, vejam só, herdados de meu pai. Ai lembro que o nosso ciclo de amizade pode e deve ser como uma floresta e não u pomar. Precisa que tenha diversidade, precisa de árvores menores até as mais altas, necessita que tenha, como na floresta, as árvores de frutas, de lenho, de copa maior, de flores. Como uma floresta, a amizade deve ser um espaço de equilíbrio.

Se cultivar amizades é como cultivar árvores e se nosso ciclo de amizades deve ser como uma floresta, diversa e equilibrada, o que podemos perceber como a inimizade? Um deserto, não mais que isso.

O deserto é um lugar onde não existem árvores e se nele estamos, o que vamos buscar pé o abrigo de um oásis, onde há árvores, terra fértil e água. Sob essa aspecto, então, temos que fazer com que seja o cultivo da amizade uma ação permamente nossa, para fazer com que sejam cada vez menores as áreas desértidas das inimizades.

Sigamos nós todos espalhando a amizade, como semeadores de árvores, cuidando para que prosperem e eliminem o deserto da inimizade. Cultivar árvores faz bem para o mundo, cria a chance de termos mais florestas e diversidade de vida, do mesmo modo como ter amizades com pessoas as mais variadas nos faz concorrer para um mundo melhor.

A ideia de amigos múltiplos e diferentes como árvores numa floresta é muito mais poderosa e adequada que a de um desértico mundo de inimizades. Seguirei fazendo esses cultivos, por alegria de viver e vontade de viver em um mundo muito mais interessante.

Fonte: Alvaro Mota

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Sobre a coluna

Álvaro Mota

Álvaro Mota

Procurador do Estado e mestre em Direito pela Universidade Federal de Pernambuco - UFPE. Álvaro também é presidente do Instituto dos Advogados Piauienses.

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