BRICS
Malu Barreto
06 de julho de 2025 às 13:35
Durante a sessão Paz e Segurança, Reforma da Governança Global da cúpula do BRICS, realizada neste domingo (6), no Rio de Janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um pronunciamento enfático em defesa da reformulação da estrutura de governança internacional. O discurso, lido por Lula e publicado na íntegra pela Presidência da República, alertou para o colapso do multilateralismo e o agravamento das desigualdades geopolíticas.
“O advento da ONU marcou a derrota do nazi-fascismo e o nascimento de uma esperança coletiva”, destacou Lula. “Mas hoje, presenciamos um colapso sem paralelo do multilateralismo.” Segundo ele, a atual reunião do BRICS acontece em meio ao cenário global mais adverso desde a fundação da ONU, que completou 80 anos em junho.
O presidente relembrou o papel histórico dos países do BRICS na construção de uma ordem internacional mais justa, mencionando a Conferência de Bandung, em 1955, e o Movimento dos Não-Alinhados. Ele alertou que a autonomia do Sul Global está sob ameaça, diante de retrocessos em temas como comércio, clima e saúde.
Lula criticou a fragilidade dos acordos internacionais, o endurecimento sobre patentes de medicamentos e a desigualdade no acesso à saúde. Também lamentou o esvaziamento do direito internacional e o crescimento da corrida armamentista, citando a decisão da OTAN de ampliar gastos militares enquanto promessas de financiamento ao desenvolvimento seguem sendo descumpridas.
Ao abordar conflitos globais, Lula condenou tanto os ataques do Hamas quanto as ações de Israel em Gaza: “Nada justifica as ações terroristas perpetradas pelo Hamas. Mas não podemos permanecer indiferentes ao genocídio praticado por Israel em Gaza”. O presidente reiterou que a única solução viável é o reconhecimento do Estado palestino dentro das fronteiras de 1967.
Lula também defendeu a paz negociada na Ucrânia, mencionando o grupo liderado por China e Brasil, e criticou violações territoriais contra o Irã. Sobre o Haiti, cobrou mais atuação da ONU, combinando segurança e desenvolvimento.
Lula voltou a defender a reforma do Conselho de Segurança da ONU, com a inclusão de membros permanentes da América Latina, África e Ásia. Para ele, essa transformação é fundamental para a sobrevivência da própria ONU.
“A governança internacional precisa refletir a nova realidade multipolar do século XXI. Cabe ao BRICS liderar esse processo”, afirmou. O presidente citou ainda o “Chamado à Ação sobre a Reforma da Governança Global”, iniciativa brasileira no G20, e alertou: “Adiar esse processo torna o mundo mais instável e perigoso”.
A fala de Lula reforça o papel do Brasil como liderança do Sul Global e destaca o BRICS como plataforma estratégica para reequilibrar as forças no cenário internacional.
Fonte: Brasil 247, com informações da Presidência da República.
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