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O Maranhão nosso de cada dia

Com essa longa linha a mais unir que a separar os dois Estados


Rio Parnaíba

Rio Parnaíba Foto: Paulo Barros

Resolvi usar esse título neste texto porque o Maranhão é uma presença firme, forte e constante em nossas vidas aqui do outro lado do rio Parnaíba, em sua margem direita. O Piauí é, por assim dizer, um irmão siamês do Maranhão, unidos que estão por uma gigantesca espinha dorsal de 1,7 mil km de cumprimento, que é o rio Parnaíba.

Com essa longa linha a mais unir que a separar os dois Estados. Une tanto que o maior número de residentes no Piauí nascidos em outros Estados é oriundo do Maranhão, conforme se pode ver nas estatísticas demográficas do IBGE.

Desde muito tempo, o Piauí recebe os maranhenses – o que decorre de fatos como a capital piauiense, Teresina, estar à margem do rio Parnaíba, sendo um destino até natural para muitos que buscavam estudar. O mesmo se dava em relação a Parnaíba, segunda maior cidade piauiense, na margem do mesmo rio e com intensas ligações às cidades maranhenses em seu entorno.

Essa proximidade rendeu ao Piauí a presença de muitos maranhenses, que com brilho, inteligência e esforços pessoais concorreram para a construção de muitas coisas boas e duradouras no território piauiense. Um deles é o grande jurista Celso Barros Coelho, outros três são o poeta Humberto de Campos, o escritor Coelho Neto e o médico João Emílio Falcão Costa, nascido em Timon, nossa cidade irmã de Teresina e que legou ao Piauí seu filho, homônimo, grande jornalista.

Celso Barros Coelho dispensa apresentações, mas convém a mim, como piauiense nascido em meu próprio Estado, mencione a importância deste piauiense nascido no Maranhão. Celso é um jurista gigante, dirigiu por 10 anos a nossa secional da Ordem dos Advogados do Brasil e representou com coragem, competência e galhardia o Piauí na Câmara dos Deputados.

O nosso grande jurista é o mais novo dos três celebres maranhenses com decisiva atuação no Piauí aqui citados, enquanto o mais antigo, Humberto de Campos (1886-1934) deixou plantado em Parnaíba um cajueiro que marca sua passagem naquela cidade, ainda menino, em 1896.

Essa árvore foi mencionada em suas obras: "Faço com as mãos uma pequena cova, enterro aí o projeto de árvore, cerco-o de pedaços de tijolos. Rego-o. Protejo-o". Uma planta que é agora um espaço memorial com placas em que estão impressos versos de Humberto de Campos.

Outro poeta, Coelho Neto, tem uma relação próxima demais com o Piauí. Tanto assim que o codinome de nossa capital, Cidade Verde, deriva de uma fala deste grande literato maranhense, nascido em Caixas, terra natal de outro grande poeta, este vivo e produzindo um trabalho notável, Salgado Maranhão, estudante em Teresina, que recentemente o brindou, merecidamente, com título de cidadania.

Essa relação a unir Piauí e Maranhão é tão estreita e tão próxima, que José Sarney, ex-presidente do Brasil, escritor e membro da Academia Brasileira de Letras, citou-a em artigo escrito anos atrás, publicado na Folha de São Paulo. O avô dele, viajante nordestino que habitou as cidades de Valença e Amarante, onde, descreve o ex-presidente no texto “Natal em Amarante”, escrito em 2009, o avô passou parte da vida, em espaço citadino tradicional, plantado “à beira do rio Parnaíba, que ali corre com suas águas preguiçosas, que mereceram do notável poeta Da Costa e Silva a imagem "de um velho monge, de barbas brancas alongando".

O Velho Monge que nos une e nos faz irmãos siameses, capazes de atravessar o rio e fazer história nas duas margens, sem que nos demos contas do que é maranhense ou piauiense, posto que somos mesmo uma gigantesca fraternidades de gentes diversas.

Fonte: Alvaro Mota

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Sobre a coluna

Álvaro Mota

Álvaro Mota

Procurador do Estado e mestre em Direito pela Universidade Federal de Pernambuco - UFPE. Álvaro também é presidente do Instituto dos Advogados Piauienses.

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