TIRO CERTEIRO
Por Luiz Brandão
28 de maio de 2026 às 12:06 ▪ Atualizado há 52 minutos
Brasília – Durante a votação da PEC que propõe o fim da escala de trabalho 6x1 no plenário da Câmara dos Deputados, na noite desta quarta-feira (27/05), o deputado federal Otoni de Paula (PSD/RJ) protagonizou um dos momentos mais emblemáticos da sessão. Em um discurso cirúrgico, o parlamentar, que é um ex-bolsonarista declarado, rompeu com a estratégia do Partido Liberal (PL) e entregou um duro golpe na narrativa da oposição.
Otoni de Paula, que hoje se tornou um crítico ferrenho do bolsonarismo e do senador Flávio Bolsonaro (PL/RJ), pré-candidato à Presidência pelo PL, usou a tribuna para denunciar o que chamou de "manobra eleitoreira". Segundo o deputado, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, teria ordenado o voto favorável à PEC não por convencimento ideológico, mas para tentar derrotar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de outubro.
O discurso de Otoni de Paula
“Se não aprovarmos a escala 6x1, Lula ganhará as eleições, disse o presidente Valdemar Costa Neto. E é por essa razão que o PL está votando ‘sim’ no painel para que Lula não ganhe as eleições. Quer dizer que, para Lula não ganhar as eleições, eu — que não voto em Lula — terei que esfaquear o trabalhador brasileiro? Não!”
O deputado desafiou a direita a vencer Lula no campo das ideias, e não "esfaqueando" os direitos dos trabalhadores. "Se a direita da qual eu pertenço quiser ganhar de Lula, ganhe na proposta, ganhe nas ideias", bradou.
A ofensiva contra Flávio Bolsonaro
Sempre que sobe à tribuna ou concede entrevistas, Otoni de Paula tem feito questão de atacar diretamente o senador Flávio Bolsonaro e a influência da família Bolsonaro na política nacional. Antigo aliado e vice-líder do governo Jair Bolsonaro na Câmara, Otoni agora não poupa críticas à família.
Em entrevistas recentes à BBC News Brasil, o deputado foi enfático ao afirmar que o Rio de Janeiro se tornou um "narcoestado" e responsabilizou a família Bolsonaro pelo caos no estado . "Eu não tenho dúvida nenhuma de que Flávio Bolsonaro faz parte dessa quadrilha. E o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro é responsável por essa quadrilha que acabou com o Estado do Rio de Janeiro", disparou na ocasião .
Nesta quarta, ao defender o trabalhador, Otoni consolidou sua posição como uma voz da "direita que está ao lado do povo", em contraposição direta ao grupo político que integrou por anos. Ele ainda lembrou o que classificou como "contrassenso" da oposição, citando o aumento do Bolsa Família aprovado em 2022, às vésperas da eleição que reelegeu Lula, que não foi tratado como "eleitoreiro" na época.
Unidade pela pauta trabalhista
Em um gesto de unidade incomum, Otoni de Paula dividiu a tribuna virtualmente com o deputado Túlio Gadêlha (PSD/PE), com quem admite ter "divergências de pensamento e de cosmovisão", mas com quem está unido "pelos trabalhadores do Brasil".
Gadêlha, que tem sido uma das vozes ativas na comissão especial que analisa o fim da escala 6x1, também tem denunciado a suposta "farsa" do PL. Ele rebateu declarações do líder da oposição, Sóstenes Cavalcante (PL/RJ), que afirmou defender a jornada 4x3. "Isso é tirar onda com a cara do trabalhador brasileiro. Eles estão subestimando a inteligência do povo", afirmou Gadêlha recentemente .
O contexto da votação
A PEC que reduz a jornada de trabalho brasileira, defendida pelo governo Lula e por ampla ala progressista, foi aprovada por expressiva maioria entre os deputados. O discurso de Otoni de Paula foi visto como um fator decisivo para desmontar o discurso da oposição que tentava rotular o projeto como meramente eleitoreiro.
"Que cristão é este que vota contra a Escala 6x1, impedindo o irmão de estar no domingo na igreja ou na missa?", questionou o deputado, levando o plenário à reflexão sobre o impacto social da medida na qualidade de vida e na convivência familiar.
Luiz Brandão é jornalista formado pela Universidade Federal do Piauí. Está na profissão há 40 anos. Já trabalhou em rádios, TVs e jornais. Foi repórter das rádios Difusora, Poty e das TVs Timon, Antares e Meio Norte. Também foi repórter dos jornais O Dia, Jornal da Manhã, O Estado, Diário do Povo e Correio do Piauí. Foi editor chefe dos jornais Correio do Piauí, O Estado e Diário do Povo. Também foi colunista do Jornal Meio Norte. Atualmente é diretor de jornalismo e colunista do portal www.piauihoje.com.
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