COPA DA VERGONHA
Por Luiz Brandão
19 de julho de 2026 às 22:36 ▪ Atualizado há 18 horas
A Espanha é bicampeã mundial. Mas o futebol e a diplomacia sairam derrotados na noite deste domingo em Nova Jersey. O que deveria ser a apoteose do esporte mais popular do planeta se transformou em um retrato nada edificante da submissão da FIFA ao poder político e da arrogância de seus principais protagonistas.
A seleção espanhola venceu os argentinos por 1 a 0. Mas a solenidade de premiação da final foi um show de deselegância protagonizado pelo presidente da FIFA, Gianni Infantino, e pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que transformaram autoridades mundiais em meros figurantes e trataram os campeões com um desprezo que envergonha a instituição que deveriam honrar.
A presença de Trump e Infantino no gramado do MetLife Stadium já foi recebida com uma sonora vaia de 84 decibéis, um termômetro do descontentamento popular. Mas o pior ainda estava por vir.
Com a presidente do México, Claudia Sheinbaum, o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, e o rei da Espanha, Felipe VI, perfilados ao lado, apenas Trump e Infantino assumiram o controle da cerimônia entregaram as medalhas e troféus. Os demais anfitriões e representantes do país campeão foram tratados como figurantes em seu próprio evento, num gesto de "superioridade" que beira o patético.
As imagens mostraram que não houve sequer um aperto de mão ou um cumprimento cordial de Trump e Infantino às outras autoridades, numa demonstração de falta de respeito típica de trogloditas, autoritários e tiranos. O cerimonial da FIFA fez Claudia Sheinbaum, Mark Carney e Fellipe VI sumirem da cena como se nunca tivessem pisado no palco da festa.
Outra cena grotesca vergonhosa protagonizada por Trump foi para sair na foto. Ele não se limitou a entregar a taça; ele se apropriou do momento. Quando a seleção espanhola se preparava para o tão sonhado levantamento do troféu, Trump se recusou a deixar o palco, insistindo em permanecer ao lado dos jogadores para aparecer nas fotos. Infantino, sem jeito, foi tentando afastar o presidente americano que, visivelmente confuso, só se moveu após uma insistência constrangedora.
A cena foi uma repetição do que já havia acontecido na final do Mundial de Clubes de 2025, quando Donald Trump se colou aos jogadores do Chelsea e se recusou a sair. A diferença é que, desta vez, a plateia global era ainda maior. O presidente americano, mais uma vez se comportou como dono do mundo.
Infantino orienta o que Trump deve fazer
Infantino, que já havia demonstrado sua submissão a Trump durante a competição, não apenas permitiu como facilitou o circo montado para o americano em Nova Jersey. O presidente da FIFA já havia criado um precedente perigoso ao atender aos caprichos do magnata americano, que "inventou" uma regra para anular o cartão vermelho de Folarin Balogun. A decisão, que suspendeu a punição ao jogador americano foi tão absurda que provocou revolta da Uefa, que classificou a atitude como "incompreensível e injustificável".
Ainda que a Espanha tenha conquistado seu bicampeonato de forma justa em campo, a imagem que fica é a de que o futebol perdeu. A FIFA, sob a gestão de Infantino, parece ter se rendido aos caprichos de um líder que vê o esporte como um palanque para sua propaganda pessoal.
A Copa do Mundo de 2026, que deveria celebrar a união entre Canadá, México e Estados Unidos, terminou com uma demonstração explícita de que, para a cúpula da FIFA, a diplomacia e o respeito são menores que o desejo de agradar a Trump.
A postura de Infantino é um desserviço ao futebol. Ao se curvar a Trump e permitir que ele dite as regras e o tom da cerimônia, ele entrega a FIFA aos caprichos do presidente americano e mancha a imagem de uma entidade que já foi alvo de graves escândalos. A Copa de 2026 ficará marcada não só pelo título espanhol, mas pela noite em que a elegância do esporte foi substituída pela grosseria do poder.
Infantino levou a taça para Trump tirar foto
Luiz Brandão é jornalista formado pela Universidade Federal do Piauí. Está na profissão há 40 anos. Já trabalhou em rádios, TVs e jornais. Foi repórter das rádios Difusora, Poty e das TVs Timon, Antares e Meio Norte. Também foi repórter dos jornais O Dia, Jornal da Manhã, O Estado, Diário do Povo e Correio do Piauí. Foi editor chefe dos jornais Correio do Piauí, O Estado e Diário do Povo. Também foi colunista do Jornal Meio Norte. Atualmente é diretor de jornalismo e colunista do portal www.piauihoje.com.
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