ESTILO BOLSONARO
Por Luiz Brandão
08 de setembro de 2026 às 12:53 ▪ Atualizado há 53 minutos
A decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), de afastar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o chefe de Inteligência da corporação, Leandro Almada, nesta terça-feira (8), reeditou uma velha prática conhecida dos brasileiros: a interferência no comando da PF para blindar aliados e familiares, nos moldes do que fez o ex-presidente Jair Bolsonaro durante seu mandato.
Indicado ao STF por Bolsonaro em 2021 e chamado pelo próprio de "terrivelmente evangélico", Mendonça é relator do caso do Banco Master na Corte e usou seu poder para determinar o afastamento preventivo do chefe da PF, sob a justificativa de que vinha sendo alvo de monitoramento ilegal por meio de relatórios de inteligência. Para juristas, porém, a medida vai além e representa uma tentativa de desmontar investigações que miram o núcleo bolsonarista.
O roteiro conhecido
A ação de Mendonça resgata a estratégia utilizada por Jair Bolsonaro, que mudou repetidamente o comando da Polícia Federal para evitar que investigações avançassem sobre familiares e amigos. Agora, é o ministro do STF, fiel ao bolsonarismo ao lado dos ministros Nunes Marques e Luiz Fux, quem repete o movimento.
O afastamento de Andrei Rodrigues atinge diretamente a Operação Compliance Zero, que apura fraudes bilionárias envolvendo o Banco Master. Entre os investigados estão o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apontado como possível candidato de Mendonça à Presidência da República, e o senador piauiense Ciro Nogueira (PP-PI), ambos citados no esquema. A investigação também apura o desvio de recursos para a produção do filme Dark Horse, sobre a vida de Jair Bolsonaro, o que torna a interferência de Mendonça ainda mais suspeita.
Crise sem precedentes no STF
A decisão de Mendonça jogou o Supremo em sua mais grave crise institucional de todos os tempos. O ministro Alexandre de Moraes, que divulgou trechos dos relatórios de inteligência que apontavam supostas irregularidades na conduta de Mendonça, passou a ser alvo direto do movimento do colega.
"O próprio ministro se considera vítima do monitoramento que fundamenta a decisão. Isso abre uma discussão séria sobre imparcialidade", afirmou a advogada criminalista Ana Krasovic. Para o mestre em Direito Processual Penal Daniel Gerber, a decisão "escancara o racha que existe, ideológico e procedimental, dentro da Suprema Corte".
A Segunda Turma do STF já formou maioria para manter o afastamento de Andrei Rodrigues, com os votos de Luiz Fux e Kassio Nunes Marques, ambos alinhados ao bolsonarismo. O ministro Gilmar Mendes pediu vista, adiando a conclusão do julgamento.
Interferência eleitoral?
Analistas políticos veem na atuação de Mendonça uma tentativa clara de interferir na campanha eleitoral de 2026 em favor de Flávio Bolsonaro. Deputados do PSol e da Rede já pediram à Procuradoria-Geral da República que o ministre seja removido da relatoria do caso, alegando parcialidade.
Enquanto isso, o risco de anulação de toda a investigação que expôs o esquema bilionário do Banco Master paira sobre o país, colocando em xeque a credibilidade não apenas do STF, mas de todo o sistema de justiça brasileiro.

Luiz Brandão é jornalista formado pela Universidade Federal do Piauí. Está na profissão há 40 anos. Já trabalhou em rádios, TVs e jornais. Foi repórter das rádios Difusora, Poty e das TVs Timon, Antares e Meio Norte. Também foi repórter dos jornais O Dia, Jornal da Manhã, O Estado, Diário do Povo e Correio do Piauí. Foi editor chefe dos jornais Correio do Piauí, O Estado e Diário do Povo. Também foi colunista do Jornal Meio Norte. Atualmente é diretor de jornalismo e colunista do portal www.piauihoje.com.
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