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O que é gravidez psicológica? Mulher pode sentir até movimentos na barriga mesmo sem bebê

Psicóloga Sileli Santiago explica como funciona a gravidez psicológica e os fatores emocionais envolvidos na condição

Natalia Costa

08 de julho de 2026 às 15:24 ▪ Atualizado há 25 minutos


Psicóloga Sileli Santiago | Foto: Piauí Hoje
Psicóloga Sileli Santiago | Foto: Piauí Hoje

A psicóloga Sileli Santiago, CRP 21/01836, que tem mais de 10 anos de profissão, explicou o que é a gravidez psicológica, condição que voltou a ser discutida após a Polícia Civil do Piauí investigar a possibilidade de que a técnica de enfermagem Auricélia Sousa Rocha, de 42 anos, suspeita de tentar sequestrar um bebê na Nova Maternidade Dona Evangelina Rosa, em Teresina, tenha vivido um quadro relacionado à condição.

A principal linha de investigação considera que a mulher acreditava estar grávida, apesar de exames médicos terem confirmado que ela não gestava um bebê.

Segundo a psicóloga Sileli Santiago, a gravidez psicológica é uma condição em que a mulher acredita estar grávida e pode apresentar sinais físicos e emocionais típicos de uma gestação, mesmo sem existir um bebê em desenvolvimento.

“Gravidez psicológica é uma condição em que a mulher acredita estar grávida e pode apresentar sinais físicos e emocionais típicos da gestação, mesmo sem haver um bebê em desenvolvimento”, explicou a especialista.

A psicóloga destaca que a gravidez psicológica não é uma condição muito comum, mas também não é considerada rara. Ela pode ocorrer em diferentes contextos e fases da vida da mulher, principalmente quando existem fatores emocionais importantes envolvidos.

Dados da OMS (Organização Mundial de Saúde) apontam que a cada 22 mil gestações, ao menos uma é pseudociese, popularmente conhecida como gravidez psicológica. Ela faz parte de um grupo de transtornos chamado somatoforme – condição física que ocorre sem razão biológica.

De acordo com a especialista, a condição pode estar relacionada a situações como o desejo intenso de engravidar, o medo de não conseguir ter filhos, perdas gestacionais anteriores, conflitos emocionais, pressão social ou dificuldades nos relacionamentos.

“A gravidez psicológica acontece a partir de uma interação entre fatores emocionais e biológicos. O cérebro, influenciado por emoções intensas, pode estimular o corpo a produzir alterações hormonais que levam ao surgimento de sintomas físicos semelhantes aos da gravidez”, explicou.

Entre os sintomas que podem aparecer estão ausência de menstruação, aumento abdominal, sensibilidade nos seios, náuseas e até a sensação de movimentos no abdômen.

Além dos sinais físicos, a mulher também pode apresentar mudanças emocionais. Segundo a psicóloga, ela pode vivenciar sentimentos como alegria, ansiedade e sofrimento, dependendo do contexto em que está inserida.

Muitas mulheres realmente acreditam que estão grávidas, organizam a sua rotina em função disso e podem compartilhar a notícia com familiares. Quando confrontadas com a ausência de gravidez, elas podem reagir com negação, tristeza ou confusão.

A especialista reforça que, diante de sinais de uma possível gravidez sem confirmação médica, é fundamental procurar atendimento com um ginecologista para avaliação.

Caso seja identificada a gravidez psicológica, o acompanhamento com psicólogo e psiquiatra é considerado essencial para acolher a mulher, compreender os fatores emocionais envolvidos e oferecer o cuidado adequado.

“A ajuda profissional é importante para que a mulher possa compreender o que aconteceu, receber acolhimento e iniciar um acompanhamento que considere tanto os aspectos emocionais quanto físicos”, destacou Sileli Santiago.

A psicóloga Sileli Santiago é pós-graduada em Psicopedagogia Clínica, Institucional e Hospitalar pela Faculdade Mauricio de Nassau. Possui graduação em Psicologia pela Faculdade Santo Agostinho de Teresina (2013) e graduação em Comunicação Social - Jornalismo pela Universidade Federal do Piauí (2002). Tem experiência na área de Psicologia Educacional, Social, e Clínica, com ênfase na Abordagem Cognitiva Comportamental.

Fonte: Com infomações da BBC News