Saúde

OPINIÃO

Nicolelis pede interdição e demissão de Queiroga

Ministro da Saúde declarou que “os óbitos de crianças estão dentro de um patamar que não implica em decisões emergenciais”

Teresinha

24 de dezembro de 2021 às 11:04


Miguel Nicolelis
Miguel Nicolelis

O médico e neurocientista Miguel Nicolelis, professor da Universidade de Duke, nos Estados Unidos, pediu, nesta quinta-feira (24), a demissão e interdição do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, em suas redes, em função dele tentar adiar a vacinação de crianças contra a Covid-19. 

“Onde estão as instituições brasileiras? Como é possível que nenhuma se manifeste? Ministro da Saúde tem q ser interditado/demitido depois de uma das declarações mais absurdas na história da medicina brasileira! Mais de 300 crianças mortas! Quantas crianças mais vão ter q morrer?”, perguntou indignado Nicolelis.

 

‘Dentro de um patamar’

Queiroga declarou, nesta quinta-feira (23), que “os óbitos de crianças estão dentro de um patamar que não implica em decisões emergenciais”. Por isso, segundo ele, a pasta não precisa iniciar rapidamente a imunização contra a Covid-19 para a faixa etária de 5 a 11 anos.

O país contabilizou a morte de 301 crianças entre 5 e 11 anos em consequência do coronavírus desde o começo da pandemia até 6 de dezembro. O dado corresponde a 14,3 óbitos por mês ou um a cada dois dias. As informações são da Câmara Técnica de Assessoramento em Imunização da Covid-19 (CTAI).

Essa faixa etária deveria estar sendo vacinada desde que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o uso do imunizante da Pfizer na última semana. Entretanto, o Ministério da Saúde não deu o aval para o início da vacinação.

Pressão do PT

Foi preciso vencer o prazo estabelecido pelo ministro Ricardo Lewandowski, do STF (Supremo Tribunal Federal), que atendeu arguição do deputado federal e ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha (PT-SP), para que o ministro da Saúde, recuasse e prestasse informações sobre a vacinação infantil, em coletiva nesta quinta-feira.

Mesmo assim, o ministro do presidente Jair Bolsonaro (PL) impôs uma série de condições para a vacinação de crianças:

“A nossa recomendação é que essa vacina não seja aplicada de forma compulsória. Ou seja, depende da vontade dos pais. E essa vacina estará vinculada a prescrição médica, e a recomendação obedece a todas as orientações da Anvisa”, disse Queiroga.

Fonte: Revista Forum



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