Saúde

PAPO DE JALECO

Ginecologista alerta sobre a culpa materna e o perigo de silenciar o cansaço no pós-parto

Em entrevista ao podcast "Papo de Jaleco", a médica Ana Maria Pearce desmistifica a romantização da maternidade, detalha os cuidados essenciais com o corpo e alerta para os sinais de adoecimento psíquico no puerpério

Da Redação

18 de maio de 2026 às 15:29 ▪ Atualizado há 55 minutos


Dra, Ana Maria Pearce foi entrevistada no podcast Papo de Jaleco
Dra, Ana Maria Pearce foi entrevistada no podcast Papo de Jaleco

A cobrança implacável por uma felicidade ininterrupta após o nascimento de um filho é uma das principais armadilhas emocionais enfrentadas pelas mulheres. No podcast Papo de Jaleco, comandado pela jornalista Malu Barreto e pelo médico Anatole Borges, a ginecologista e obstetra Ana Maria Pearce foi categórica ao desmistificar o mito da "mãe perfeita". 

Segundo a médica, não há espaço para culpa quando o esgotamento da nova rotina se sobrepõe ao entusiasmo. "De jeito nenhum a mulher está sendo ruim por não estar feliz o tempo todo. É uma situação completamente nova. A vida de casal muda, o sono é interrompido e surge um ser que depende exclusivamente dela. O cansaço e o esgotamento na madrugada são absolutamente normais", afirmou a especialista.

A linha divisória entre o cansaço esperado e a necessidade de intervenção médica, contudo, exige atenção. Dra. Ana Maria destacou que se a tristeza, o desânimo e os pensamentos negativos persistirem intensamente após a segunda semana, comprometendo o autocuidado e o vínculo com o bebê, é hora de buscar ajuda psiquiátrica e obstétrica. 

Para isso, ela defende a urgência das consultas de revisão pós-parto, que devem ocorrer de forma precoce, entre 7 e 10 dias após o parto, e novamente aos 40 dias, independentemente da via de nascimento (vaginal ou cesárea) ou da ausência de queixas aparentes. 

Nessas consultas, além do exame físico para monitorar sangramentos, cicatrização e as condições das mamas para a amamentação, o obstetra realiza uma busca ativa de sinais de depressão pós-parto e orienta sobre o planejamento familiar, lembrando que intervalos entre gestações inferiores a 18 meses aumentam os riscos de desfechos adversos para a mãe e o novo bebê.

Sinais de Alerta no Pós-Parto: Quando procurar o médico imediatamente?

Durante a entrevista, os médicos listaram os principais sintomas físicos que demandam avaliação urgente nos primeiros meses do puerpério:

SintomaO que pode indicar / Critério clínico
Febre acima de 38°CNunca é normal após as primeiras 24 horas do parto.
Sangramento persistenteHemorragia contínua que não tende a diminuir após o terceiro dia.
Dor abdominal contínuaDores fortes que não melhoram com o repouso ou ao deitar.
Inchaço unilateral nas pernasUma perna visivelmente mais inchada e dolorida que a outra (alerta para trombose).


Além dos aspectos emocionais, a ginecologista detalhou as profundas transformações físicas que o corpo enfrenta. Ela revelou que a saída da placenta provoca uma queda hormonal abrupta, fazendo com que as mulheres que amamentam experimentem uma espécie de "menopausa transitória" devido aos picos de prolactina.

 Esse fenômeno fisiológico resulta na redução drástica da libido e no ressecamento vaginal, tornando essencial o uso de hidratantes e lubrificantes íntimos a partir dos 40 dias para que o retorno às relações sexuais seja confortável. 

Quanto à estética e à recuperação do corpo, Dra. Ana Maria desmistificou o uso de cintas compressivas, afirmando que elas têm pouquíssimo impacto real. O fator determinante para uma boa recuperação é o ganho de peso controlado e a prática de atividades físicas iniciada ainda na gestação.

 O retorno aos exercícios leves é liberado em média entre 4 e 6 semanas pós-parto, respeitando o tempo de cicatrização da ferida placentária interna e a recuperação global do organismo.

ASSISTA A ENTREVISTA COMPLETA




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