Você já ouviu falar em crononutrição? Esta área de estudo investiga a relação entre a alimentação e o nosso relógio biológico interno, defendendo que quando comemos é um fator tão crucial para a saúde quanto o que comemos. Alinhar as refeições aos ritmos naturais do corpo ajuda a regular hormônios, manter a energia e facilitar a digestão. Em contrapartida, comer tarde da noite pode desregular o metabolismo e prejudicar a qualidade do sono.
A crononutrição parte do princípio de que o nosso metabolismo segue um ritmo circadiano. Isso significa que funções como digestão, absorção e utilização de nutrientes variam ao longo do dia, sendo naturalmente menos eficientes durante a noite. O conceito avalia como o horário das refeições influencia hormônios importantes, como a insulina, que controla o açúcar no sangue, a leptina, relacionada à saciedade, e o cortisol, buscando alinhar alimentação, energia e sono para reduzir riscos à saúde.
Comer tarde da noite interfere diretamente nesse equilíbrio hormonal. "Aumenta a resistência à insulina, a glicemia de jejum, a hemoglobina glicada em pacientes diabéticos e ainda aumenta a fome no dia seguinte", explica o endocrinologista Ricardo Barroso, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional São Paulo (Sbem-SP). Quando se come em desacordo com o relógio biológico, a ação da insulina piora e os níveis de grelina, o hormônio da fome, aumentam. O resultado é um ciclo em que a pessoa sente mais vontade de comer carboidratos e acorda com mais fome no dia seguinte.
Além dos efeitos no apetite, refeições noturnas tardias suprimem a produção de melatonina, o hormônio que induz o sono. Isso leva a um descanso menos profundo e reparador, deixando a pessoa mais cansada. A prática regular de comer fora do horário adequado traz diversos riscos. Entre eles estão o maior acúmulo de gordura abdominal, alterações nos níveis de colesterol e outros lipídios no sangue, e um risco aumentado para o desenvolvimento de doenças metabólicas, como diabetes tipo 2.
Pessoas com obesidade, diabetes ou compulsão alimentar são ainda mais sensíveis a esses efeitos, mas mesmo indivíduos saudáveis podem sofrer alterações. O hábito também tende a favorecer escolhas alimentares pobres, como o consumo de ultraprocessados, que aumentam a inflamação no corpo.
Para respeitar o ritmo biológico, os especialistas recomendam estabelecer horários regulares para se alimentar. O jantar ideal deve ocorrer entre 19h e 20h, priorizando opções mais leves e saudáveis para não sobrecarregar a digestão noturna. "A crononutrição parte do princípio de que o nosso metabolismo segue um ritmo biológico interno, regulado principalmente pelo relógio circadiano.
À noite, as funções de digerir, absorver e utilizar nutrientes diminui. Por isso, o horário das refeições pode favorecer ou dificultar o metabolismo energético", ressalta a nutricionista Taynara Abreu. Outras práticas benéficas incluem reduzir os beliscos noturnos, evitar longos períodos de jejum seguidos de grandes refeições à noite e limitar a exposição à luz azul de telas antes de dormir, já que essa luz também pode alterar os hormônios e aumentar o apetite.
Fonte: Metrópole