CASO MASTER
Da Redação
24 de junho de 2026 às 18:07 ▪ Atualizado há 2 horas
A Polícia Federal (PF) apura se uma sacola transportada em um voo particular para Brasília, em agosto de 2024, tinha como destinatário o senador piauiense Ciro Nogueira (PP). A suspeita integra uma investigação que apura supostas irregularidades envolvendo o setor de combustíveis e foi reforçada por depoimentos e mensagens analisadas pelos investigadores.
De acordo com o piloto Mauro Caputti Mattosinho, que trabalhava na TAP (Táxi Aéreo Piracicaba), ele recebeu uma sacola de papel para transporte com a orientação de que exigia “cuidado especial”. Segundo o relato prestado à PF, o peso e o formato da embalagem o levaram a acreditar que havia dinheiro em espécie em seu interior.
O piloto afirmou ainda que chegou a gravar um vídeo da sacola durante a viagem. O material passou a integrar os elementos analisados pelos investigadores.
A investigação também menciona mensagens atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro, enviadas ao operador financeiro Fabiano Zettel. Em uma das conversas, aparece a frase: “Resolve Ciro e galerias hoje/Manda agora lá”.
Na sequência, Zettel teria encaminhado uma lista de pagamentos pendentes contendo a anotação “Espécie Ciro 350k”. Posteriormente, a PF constatou que essa troca de mensagens ocorreu em agosto de 2025, um ano após o voo citado pelo piloto.
Apesar da divergência temporal, os investigadores afirmam que as suspeitas sobre um possível envio de dinheiro em espécie ao parlamentar permanecem sob análise.
Relato sobre entrega da sacola
Ao desembarcar em Brasília, Mattosinho declarou ter ouvido o empresário Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como Beto Louco, questionar um funcionário sobre a entrega da encomenda. Segundo o piloto, o empresário perguntou se “estava tudo certo com o Ciro” e se “o senador Ciro já estava aguardando”.
Ainda conforme o depoimento, a sacola foi retirada da aeronave na capital federal e não retornou no voo de volta para São Paulo.
Ameaças e mudança de rotina
O piloto também relatou à Polícia Federal que passou a sofrer ameaças após reunir documentos e procurar os investigadores para colaborar com o caso.
Segundo ele, familiares teriam recebido intimidações e pessoas desconhecidas passaram a monitorar endereços ligados à sua família. Mattosinho afirmou que contratou um especialista particular em proteção de testemunhas e adotou medidas de segurança.
Ele declarou ainda que, há cerca de dez meses, vive sem residência fixa e não conseguiu retornar ao mercado de aviação executiva, setor em que atuou durante 17 anos.
Manifestações
Até o momento, o senador Ciro Nogueira não se pronunciou sobre as suspeitas investigadas pela Polícia Federal.
A defesa de Daniel Vorcaro informou que não comentará o caso. Já os advogados de Roberto Augusto Leme da Silva negaram qualquer transporte de recursos financeiros e afirmaram que o empresário não possui vínculo com o controlador do Banco Master.
A investigação segue em andamento e, até o momento, não há conclusão da Polícia Federal sobre a origem, o conteúdo ou o destino da sacola transportada no voo.
Fonte: DCM
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