BASTIDORES POLÍTICOS
Natalia Costa
30 de abril de 2026 às 11:40 ▪ Atualizado há 1 hora
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva indicou a aliados que pretende escolher um novo nome para o Supremo Tribunal Federal (STF) após a rejeição de Jorge Messias pelo Senado. A conversa ocorreu na noite de quarta-feira (29), no Palácio da Alvorada.
De acordo com informações divulgadas pelo g1, o presidente deve fazer uma nova indicação, embora sem pressa imediata. A expectativa é que o nome seja definido nas próximas semanas, após uma nova rodada de articulações políticas.
Jorge Messias participou da reunião. Segundo interlocutores, Lula afirmou ter recebido com tranquilidade a decisão do Congresso, mas o resultado acendeu um sinal de alerta dentro do governo. O advogado-geral da União obteve 34 votos favoráveis, abaixo dos 41 necessários para aprovação, em votação secreta no plenário do Senado.
Um ministro presente no encontro reforçou que o presidente não pretende abrir mão da prerrogativa constitucional de indicar um nome ao STF. “Não há hipótese de o presidente Lula abrir mão da sua prerrogativa de indicar um nome ao STF”, afirmou.
Derrota expõe falhas na articulação
Apesar do discurso público de serenidade, aliados avaliaram que o placar evidenciou fragilidades na base governista. Durante a reunião, ministros ligados ao Centrão e ao PT apontaram falhas na articulação política e destacaram que não houve previsão da dimensão da derrota.
Ainda durante a sessão, ao perceber o risco de rejeição, integrantes do governo tentaram adiar a votação. A iniciativa, no entanto, foi recusada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
Outro ponto discutido foi o impacto da decisão na relação entre o Palácio do Planalto e o Congresso Nacional. O nome do senador Rodrigo Pacheco foi citado nas conversas como um dos parlamentares que teriam votado contra a indicação.
Pressão por diversidade no STF
A rejeição de Messias também reacendeu o debate sobre representatividade no Supremo. Movimentos como a Coalizão Negra por Direitos, o Mulheres Negras Decidem e o Instituto da Defesa da População Negra voltaram a defender a indicação de uma mulher negra para a Corte.
Segundo essas entidades, a nova escolha representa uma oportunidade de ampliar a diversidade no tribunal, que, em mais de 130 anos de história, nunca teve uma ministra negra.
Nos bastidores do governo, porém, essa possibilidade ainda não é consenso. De acordo com apuração do SBT News, interlocutores do presidente avaliam que o argumento político não tem sido suficiente, até o momento, para definir o perfil do próximo indicado.
Fonte: Diário do Centro do Mundo (DCM)
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