Em Nova Délhi, ao concluir sua visita de Estado à Índia neste domingo (22), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ressaltou, em entrevista à imprensa antes do embarque para outra missão oficial, a importância de “mostrar para o mundo o momento que vive o Brasil”. A declaração foi proferida após uma agenda de encontros bilaterais com autoridades indianas e participação em eventos econômicos e tecnológicos.
Ao fazer um balanço dos resultados recentes da política externa, o presidente destacou números do comércio exterior e avaliou que o Brasil vive um momento favorável nas relações econômicas com outros países. Lula reafirmou, então, um tom otimista ao comentar o desempenho comercial do país.
Em apenas três anos e dois meses, nós fizemos mais de 520 novos mercados de produtos brasileiros. É mais do que tudo que a gente já tinha alcançado em muito tempo.
Segundo o presidente, o fluxo de comércio exterior brasileiro foi ampliado nos últimos anos e, na avaliação dele, as relações com a Índia ainda têm espaço para avançar. Lula recordou que, quando esteve em Nova Délhi há 21 anos, retornou ao Brasil celebrando a marca de US$ 100 bilhões em comércio exterior. Atualmente, de acordo com seus cálculos, esse volume teria sido multiplicado por mais de seis, alcançando cerca de US$ 649 bilhões. Ele afirmou ainda que espera que, em algum momento, o país atinja a marca de US$ 1 trilhão em comércio exterior.
Em relação às trocas com a Índia, Lula relatou que o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, sugeriu a meta de US$ 20 bilhões em comércio bilateral até 2030. O presidente brasileiro, no entanto, avaliou que o objetivo pode ser mais ambicioso e defendeu a possibilidade de chegar a US$ 30 bilhões no mesmo período, citando o potencial econômico das duas nações. Em 2025, o intercâmbio comercial entre Brasil e Índia superou, pela primeira vez, a marca de US$ 15 bilhões.
O presidente Lula afirmou ter certeza que o Brasil é um dos países de maior credibilidade em nível internacional: "Isso só é possível com muito trabalho e com muita seriedade" - Foto: Ricardo Stuckert / PR
Agenda diplomática e parcerias
A visita de Estado ocorreu no contexto de uma missão ampla — com presença de ministros, representantes empresariais e participação em cúpulas sobre tecnologia, comércio e inovação — e incluiu a assinatura de diversos acordos de cooperação em áreas como defesa, tecnologia digital, energia, saúde e mineração. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, destacou que foram firmados 11 instrumentos governamentais, incluindo parcerias em minerais críticos e propriedade intelectual.
Representantes da agência de promoção comercial brasileira também ressaltaram avanços práticos, como a inauguração de um escritório da ApexBrasil em Nova Délhi e a introdução de produtos brasileiros em grandes redes de supermercados indianas.
Política externa e visão global
Durante a coletiva, Lula também esboçou sua visão mais ampla de política externa. Ele destacou que o reposicionamento do Brasil no cenário internacional decorre de um esforço contínuo — e, segundo ele, bem-sucedido — em garantir previsibilidade econômica e estabilidade jurídica para investidores.
O presidente não deixou de abordar temas sensíveis, como a necessidade de uma reforma no Conselho de Segurança da ONU para ampliar a representatividade de países em desenvolvimento, especialmente o Brasil e a Índia, que hoje não ocupam assentos permanentes no órgão.
Fonte: Governo Federal
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