Arte e reflexão racial
Da Redação
17 de maio de 2026 às 17:11 ▪ Atualizado há 1 hora
No palco do Teatro dos Bancários, em Brasília, o ator Déo Garcez, que interpreta o advogado e jornalista Luiz Gama (1830-1882), proclama ao público: “A liberdade e a igualdade não são privilégios e sim direitos”. As palavras ecoam com força na plateia.
Na semana em que a abolição da escravidão completou 138 anos, uma apresentação em Brasília trouxe à tona o legado vivo de Gama, promovendo reflexões contra o preconceito. O espetáculo Luiz Gama: uma voz pela liberdade é uma ferramenta de transformação, explica o ator, que também é autor do texto há mais de uma década.
Garcez afirma identificar-se com o personagem que encena para elevar a conscientização. “A arte não só entretém, mas traz questões importantes para discussão”, afirma.
O sociólogo Jessé Souza, em debate sobre o legado de Gama, ressalta que a escravidão persiste nos símbolos e ideias. “As ideias são fundamentais, determinando nosso comportamento”, diz, enfatizando que o ideário do intelectual é uma arma contra as formas modernas de escravidão.
Pesquisadores destacam que Luiz Gama, patrono da abolição brasileira, usou a área jurídica e a imprensa para lutar pela liberdade. Sua atuação histórica em prol da conscientização é exaltada como um caminho contínuo de luta contra o racismo estrutural. A Unesco está em trâmite final para reconhecer os manuscritos de Gama como Patrimônio Documental da Humanidade.
O acervo Presença negra no Arquivo: Luiz Gama, articulador da liberdade inclui 232 documentos que revelam sua luta jurídica, libertando mais de 500 escravizados usando legislações anteriores à abolição.
O pesquisador Artur Antônio dos Santos Araújo destaca que Gama mostrou como a escravidão usou sofisticadamente o regime jurídico. “Ele usou o sistema para libertação”, afirma Araújo, ressaltando a injustiça em tratar o 13 de maio como conquistado sem resistência.
Garcez, ao interpretar Gama, experimenta um processo de conscientização, reconhecendo a importância da educação antirracista e da luta contínua pelos direitos. “A história de Gama dignifica minha existência”, afirma. “A reflexão que ele traz é a necessidade de lutar diariamente contra injustiças.”
Fonte: Agência Brasil
Coritiba atropela na Neo Química Arena
AGENDA
Infraestrutura esportiva
Cultura e Turismo no Piauí
INFRAESTRUTURA
CRÉDITO