Política

DESCUMPRIMENTO DE CAUTELAR

Entenda como Jair Bolsonaro pode ser preso ainda hoje

Após divulgação de gravações, Moraes exige que advogados justifiquem descumprimento de medida cautelar

Pâmela

22 de julho de 2025 às 08:58


Jair Bolsonaro mostra tornozeleira eletrônica
Jair Bolsonaro mostra tornozeleira eletrônica

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pode ser preso ainda nesta terça-feira (22), caso sua defesa não consiga justificar ao Supremo Tribunal Federal (STF) o descumprimento de uma medida cautelar que proíbe o uso de redes sociais, diretamente ou por terceiros.

A advertência foi feita na segunda-feira (21) pelo ministro Alexandre de Moraes, que deu 24 horas para os advogados se manifestarem. “INTIMEM-SE os advogados regularmente constituídos por JAIR MESSIAS BOLSONARO para, no prazo de 24 (vinte e quatro) horas, prestarem esclarecimentos sobre o descumprimento das medidas cautelares impostas, sob pena de decretação imediata da prisão do réu”, escreveu Moraes.

A reação de Moraes veio após Bolsonaro ter sido flagrado na Câmara dos Deputados exibindo a tornozeleira eletrônica que passou a usar por ordem do STF. Durante a visita, diante de apoiadores, o ex-presidente classificou a medida como “covardia” e uma “humilhação”.

“Não roubei os cofres públicos, não desviei recurso público, não matei ninguém, não trafiquei ninguém. Isso aqui é um símbolo da máxima humilhação em nosso país. Uma pessoa inocente. Covardia o que estão fazendo com um ex-presidente da República. Nós vamos enfrentar a tudo e a todos. O que vale para mim é a lei de Deus”, declarou.

A gravação da fala circulou nas redes bolsonaristas e foi usada como prova em um pedido de prisão protocolado por Lindbergh Farias (PT-RJ), líder do partido na Câmara.

“O uso de intermediários ou a retransmissão por terceiros não descaracteriza a autoria comunicacional, sobretudo quando há intenção deliberada de contornar a decisão judicial”, diz a petição. 

Para Lindbergh, Bolsonaro violou “deliberadamente” a cautelar e faz parte de uma “campanha sistemática por sanções internacionais contra o Brasil”.

O documento afirma ainda que a atuação do ex-capitão integra um plano de “golpismo transnacional”, articulado com seu filho, o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), atualmente nos Estados Unidos.

A petição sugere que o “bananinha” estaria sendo financiado com “recursos de origem suspeita”, como doações via Pix, para sustentar um “lobby internacional” junto a aliados como Donald Trump. Segundo o texto, esse lobby teria motivado o recente “tarifaço de Trump”, com tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, baseado em alegações de perseguição judicial.

Lindbergh sustenta que a prisão preventiva de Bolsonaro é necessária por causa do “renovado risco à ordem pública” e da gravidade dos crimes investigados, como tentativa de golpe, organização criminosa e incitação ao crime.

Fonte: Diario do centro do mundo



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