
O Supremo Tribunal Federal (STF) inicia nesta terça-feira (2) um julgamento histórico que coloca no banco dos réus o ex-presidente Jair Bolsonaro e sete de seus principais aliados, acusados de liderar uma tentativa de golpe de Estado após a derrota nas eleições de 2022.
A análise do caso, que deve se estender até 12 de setembro, marca a primeira vez que a Corte examina judicialmente um episódio dessa natureza, com possíveis reflexos diretos na cena política e na disputa eleitoral do próximo ano.
Entenda o caso
Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), Bolsonaro integra o "núcleo crucial" da trama golpista, que teria contado com ex-ministros, parlamentares e oficiais das Forças Armadas para tentar reverter o resultado das urnas e manter o ex-presidente no poder de forma irregular.
O esquema, porém, não avançou porque os então comandantes do Exército e da Aeronáutica recusaram-se a mobilizar tropas em apoio a Bolsonaro. Caso as acusações sejam confirmadas, o julgamento poderá representar a primeira condenação de militares por atentado à democracia.
Além de Bolsonaro, são réus no processo os ex-ministros Braga Netto, Augusto Heleno, Anderson Torres e Paulo Sérgio Nogueira; o ex-comandante da Marinha Almir Garnier; o deputado federal Alexandre Ramagem, ex-diretor da Abin; e o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens da Presidência, que firmou acordo de delação premiada.
As acusações incluem tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, organização criminosa armada e crimes relacionados à depredação de patrimônio público.
Julgamento
O julgamento será conduzido pela Primeira Turma do STF, composta pelos ministros Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia, Cristiano Zanin, Flávio Dino e Luiz Fux, com apresentação de provas documentais, vídeos e áudios reunidos pela Polícia Federal. A defesa dos réus aposta na tese de "absorção de crimes" para unificar imputações e reduzir eventuais penas.
Além do impacto jurídico, o processo tem forte repercussão política. Uma eventual condenação deixaria Bolsonaro inelegível e possivelmente afastado da campanha de rua em 2026, movimentando nomes do campo conservador, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que articula alternativas para unificar a direita.
A expectativa é de que a Primeira Turma do STF emita seu veredicto até 12 de setembro, com possibilidade de recurso ao plenário da Corte.
Fonte: Brasil 247