Política

ESTRADAS DA DEMOCRACIA

A rotina de milhares de quilômetros na luta para garantir o voto e a democracia

Enquanto eleitores criticam ausências, deputados estaduais do Piauí chegam a percorrer até 180 mil km por ano; veja o caso do deputado Francisco Limma (PT)

Por Luiz Brandão

18 de maio de 2026 às 22:17 ▪ Atualizado há 2 meses

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  • A imagem tradicional de políticos como figuras distantes não se aplica a todos, especialmente no Piauí.
  • Muitos deputados estaduais piauienses percorrem entre 150 mil e 180 mil km por ano para atender às necessidades locais.
  • O deputado Francisco Limma é um exemplo, viajando por regiões remotas para colher demandas diretamente dos eleitores.
  • Limma destaca a importância de estar presente fisicamente para entender a realidade dos cidadãos.
  • Ele atua em iniciativas na Assembleia Legislativa, como melhorias de infraestrutura e políticas de saúde.
  • Limma e outros políticos veem o constante contato com a população como essencial para reforçar a democracia.
  • Em tempos de desconfiança política, a presença e ação desses deputados reforçam a confiança no sistema democrático.

Imagem gerada por IA Com ou sem asfalto, as estradas viram palanque para maioria dos políticos
Com ou sem asfalto, as estradas viram palanque para maioria dos políticos

A imagem do político confinado ao ar-condicionado do gabinete ou restrito às sessões solenes da Assembleia Legislativa povoa o imaginário popular. Mas, nos rincões do Piauí, um estado de dimensões continentais e desafios logísticos brutais, há quem transforme o mandato em combustível de caminhonete e a estrada de chão em palanque permanente da democracia.

Enquanto o senso comum repete que "político não trabalha", os dados mostram outra realidade: a maioria dos deputados estaduais piauienses percorre, anualmente, entre 150 mil e 180 mil quilômetros pelas rodovias estaduais e federais. A conta é de tirar o fôlego: média de 12,5 mil a 15 mil quilômetros por mês, ou impressionantes 400 a 500 quilômetros por dia.

Um mandato em 4 rodas

Esse vai e vem incessante não é turismo político. É a matéria-prima do mandato que recusa a bolha. Em cada comunidade ribeirinha, cada assentamento do MST, cada vila esquecida pelo asfalto, o parlamentar coleta demandas, fiscaliza obras e ouve o eleitor que não tem condições de bater à porta do poder.

O deputado Francisco Limma (PT), engenheiro agrônomo de formação, é um retrato vivo dessa resistência rodoviária. Ele integra o seleto time que supera a barreira dos 150 mil quilômetros rodados por ano pelo interior do estado, distância equivalente a três voltas completas ao redor da Terra (a circunferência da Terra tem 40.075 quilômetros).

"A democracia não se faz no ar-condicionado do gabinete", afirma Limma, que já foi prefeito de São João do Arraial e coordenou programas de combate à pobreza rural. "A gente só conhece a realidade do pequeno produtor, a falta de recapeamento na estrada, os conflitos agrários e a seca que mata o gado se a gente estiver lá, no barro, ao lado de quem sofre."

Da tribuna à poeira

O trabalho de Limma vai além da quilometragem. Nos registros oficiais da Assembleia Legislativa, o parlamentar tem atuação propositiva constante. Em março de 2026, ele protocolou requerimento cobrando recapeamento e tapa-buracos na BR-343 (trecho Floriano–Jerumenha) junto ao DNIT, além de pedir audiência pública para debater conflitos agrários e impactos socioambientais da expansão agrícola. Também apresentou projeto de lei instituindo a Política Estadual de Atenção Integral às Pessoas com Doenças Crônicas no SUS do Piauí.

"O povo não quer promessa de palanque. Quer ponte, quer asfalto, quer água. Se o político não for lá ver com os próprios olhos, a demanda não chega, o dinheiro público mal aplicado não aparece. Estrada para mim é instrumento de trabalho e exercício de cidadania", conclui.

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O deputado estadual Francisco Limma está sempre junto aos seus eleitores 
Uma luta que renova

Em tempos de fadiga democrática e desconfiança generalizada com a política institucional, a rotina desses deputados estradeiros soa como antídoto.

Longe dos holofotes e dos estúdios, eles encaram o sol do semiárido, as pontes de madeira, a poeira que sobe e a lama que atola, porque sabem que a democracia se conquista todos os dias, de porta em porta, de estrada em estrada.

Francisco Limma e seus colegas que cruzam o Piauí de ponta a ponta não são exceção apenas pelo volume de quilômetros. São exceção porque insistem que representação popular é presença física, não figurativa.

E, neste ano eleitoral, com as eleições gerais marcadas para 4 de outubro, essa presença se torna ainda mais vital. Afinal, o voto que nasce da estrada carrega consigo não apenas a esperança, mas a memória de que alguém, um dia, enfrentou o barro para ouvir.

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O deputado Limma tem apoiado os pequenos agricultores do Piauí 

Fonte: Alepi