Polícia

GOLPES FINANCEIROS

Justiça mantém prisão do dono da DF Group e de mais 10 suspeitos

Investigação aponta que grupo fez mais de 70 vítimas e movimentou R$ 100 milhões em dois anos

Da Redação

12 de julho de 2026 às 11:23 ▪ Atualizado há 1 hora

Ver resumo
  • Justiça do Piauí manteve a prisão temporária de Douglas Fonseca Araújo e outros 10 suspeitos por golpes financeiros.
  • O esquema teria lesado mais de 70 vítimas e movimentado R$ 100 milhões em dois anos.
  • Prisões ocorreram após operação da Secretaria de Segurança Pública, com apreensão de bens de luxo.
  • Investigados responderão por estelionato qualificado, associação criminosa e lavagem de dinheiro.
  • DF Group é suspeita de operar como pirâmide financeira sem autorização da CVM.
  • Polícia apreendeu veículos de luxo, armas, joias e documentos importantes para a investigação.
  • Novas vítimas foram incentivadas a denunciar o esquema.
  • Investigações iniciaram após clientes relatarem dificuldades para resgatar investimentos.

Reprodução/Redes sociais Douglas Fonseca Araújo, proprietário da empresa DF Group
Douglas Fonseca Araújo, proprietário da empresa DF Group

A Justiça do Piauí manteve, durante audiência de custódia realizada nesse sábado (11), a prisão temporária do trader Douglas Fonseca Araújo, proprietário da empresa DF Group, e de outros 10 investigados suspeitos de integrar um esquema de golpes financeiros que teria feito mais de 70 vítimas e movimentado R$ 100 milhões em dois anos no Piauí.

A informação foi confirmada pelo advogado Djalma Filho, responsável pela defesa de Douglas e de Ícaro Teixeira de Sousa, também investigado na operação. A prisão temporária tem prazo inicial de cinco dias, podendo ser prorrogada por igual período, conforme prevê a legislação.

Após a audiência, Douglas e outros seis homens foram encaminhados para a Cadeia Pública de Altos. As quatro mulheres presas na operação foram transferidas para a Penitenciária Feminina de Teresina.

Os presos foram identificados como: Douglas Fonseca Araújo (CEO), Ícaro Teixeira de Sousa, Milena Alves Torres, Viviane Alves da Silva, Eduardo Lima de Sousa, Jaquenilson Alvino de Sousa Abreu, Janda Maira de Sousa Silva, Caio Guilherme Campelo, Caio Fonseca Araújo e Vitória Gabriel Conceição Fonseca.

Esquema teria feito mais de 70 vítimas

As prisões ocorreram na última sexta-feira (10), durante uma operação da Superintendência de Operações Integradas (SOI), da Secretaria de Segurança Pública do Piauí, que cumpriu mandados de busca e apreensão na sede da DF Group, localizada na zona Leste de Teresina.

Os investigados deverão responder pelos crimes de estelionato qualificado por fraude eletrônica, associação criminosa e lavagem de dinheiro.

De acordo com o delegado Roni Silveira, da Força Estadual Integrada de Segurança Pública (FEISP), as investigações apontam que o grupo criminoso lesou mais de 70 investidores e movimentou aproximadamente R$ 100 milhões por meio da empresa.

1783867243114.jpg

Segundo a Polícia Civil, Douglas se apresentava como trader com mais de 14 anos de experiência no mercado financeiro e oferecia investimentos com promessa de rentabilidade de até 10% ao mês. Para os investigadores, esse percentual seria incompatível com operações financeiras regulares e fazia parte da estratégia para atrair novos investidores.

Polícia aponta indícios de pirâmide financeira

As investigações também apontam que a DF Group não possuía autorização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para atuar na captação de investimentos. Conforme a polícia, o modelo de negócio funcionaria como uma pirâmide financeira, em que os pagamentos aos investidores antigos dependiam da entrada constante de novos clientes.

Ainda segundo os investigadores, Douglas utilizava as redes sociais para exibir uma rotina de luxo, com veículos de alto padrão e outros bens, estratégia que teria contribuído para transmitir credibilidade e conquistar novos investidores.

1783867130691.jpg
Veículos apreendidos pela polícia / Foto: Polícia Civil

Carros de luxo, armas e joias foram apreendidos

Durante o cumprimento dos mandados, os policiais apreenderam 11 veículos, incluindo carros de luxo, além de armas de fogo, relógios, joias, documentos e outros materiais considerados importantes para a investigação. O escritório utilizado pela empresa também foi interditado por determinação da polícia.

O superintendente de Operações Integradas da SSP-PI, delegado Matheus Zanatta, informou que a repercussão da operação fez com que novas vítimas procurassem as autoridades para denunciar o suposto golpe.

"Várias vítimas já entraram em contato e devem vir registrar o Boletim de Ocorrência", afirmou.

A Secretaria de Segurança Pública orienta que pessoas que tenham investido na empresa e se considerem prejudicadas registrem ocorrência por meio do canal BO Fácil, disponível pelo WhatsApp no número 0800 086 0190, ou procurem qualquer delegacia da Polícia Civil ou a Superintendência de Defesa e Proteção do Consumidor (Sudecon).

Investidores relataram dificuldades para resgatar dinheiro

As investigações começaram após denúncias de clientes que afirmaram não conseguir sacar os valores investidos. Segundo os relatos, a empresa deixou de cumprir os pagamentos prometidos e passou a dificultar o contato com os investidores.

Em junho deste ano, a defesa da DF Group informou que os clientes enfrentavam dificuldades para retirar os recursos aplicados, mas negou a existência de fraude. Com o avanço das investigações e a prisão dos suspeitos, a Polícia Civil continua apurando a extensão do esquema, o número total de vítimas e o prejuízo financeiro causado.