Polícia

INVESTIGAÇÃO

Grupo neonazista planejava explodir Palácio do Planalto com Lula dentro, diz polícia

Investigação da Operação Rede Interrompida identificou planos de ataques em Brasília e levou a buscas em cinco estados

Da Redação

10 de agosto de 2026 às 10:51 ▪ Atualizado há 1 hora

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  • A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) investigou um grupo neonazista que planejava atacar prédios públicos em Brasília, incluindo o Palácio do Planalto.
  • A operação, chamada Rede Interrompida, ocorreu em 4 de abril e cumpriu oito mandados de busca em cinco estados.
  • As investigações revelaram que o grupo discutia planos de violência contra o Supremo Tribunal Federal (STF) e locais relacionados ao segundo turno das eleições.
  • Os integrantes, entre 19 e 31 anos, se comunicavam principalmente pelo Telegram, nunca se encontrando pessoalmente.
  • Mensagens mostraram escolha de alvos e preparação de ações, com material sobre a estrutura do Palácio do Planalto.
  • Os planos visavam causar impacto em Brasília e possivelmente atingir o presidente Lula.
  • A operação contou com o apoio do Ciberlab e resultou na apreensão de computadores, armas e materiais nazistas.
  • O grupo pode responder por crimes de associação criminosa, apologia e incitação ao crime.
  • A investigação continua a analisar as provas e a entender o potencial operacional do grupo.

Agência Brasil Palácio do Planalto
Palácio do Planalto

Um grupo neonazista investigado pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) planejava realizar ataques contra prédios públicos em Brasília e tinha o Palácio do Planalto entre os principais alvos, segundo as investigações da Operação Rede Interrompida. Conforme os investigadores, o plano previa uma ação durante o período eleitoral e havia suspeita de que o objetivo incluía atingir o presidente Luiz Inácio Lula da Silva dentro da sede do governo federal.

A operação foi deflagrada na terça-feira (4) e cumpriu oito mandados de busca e apreensão em cidades de cinco estados. A investigação apontou que os integrantes do grupo mantinham conversas pela internet e utilizavam plataformas digitais para organizar ações violentas, disseminar conteúdo neonazista e compartilhar informações relacionadas aos ataques planejados.

Além do Palácio do Planalto, os investigados teriam discutido ações contra o Supremo Tribunal Federal (STF) e contra o prédio onde ocorreria o debate do segundo turno das eleições. A apuração identificou ainda referências a outros prédios públicos localizados na região central de Brasília.

Grupo atuava pela internet

Segundo a investigação, os integrantes tinham entre 19 e 31 anos e não haviam se encontrado presencialmente. A articulação ocorria exclusivamente no ambiente virtual, principalmente em grupos do Telegram.

Um dos grupos reunia mais de 600 participantes e apresentava símbolos ligados ao nazismo. A partir dele, integrantes considerados mais radicalizados eram direcionados para um grupo restrito, onde, de acordo com as autoridades, eram discutidos planos concretos de violência.

Os investigadores encontraram mensagens relacionadas à escolha de alvos, preparação de ações e movimentação em Brasília. Também foram identificados mapas e representações de prédios públicos, além de materiais que, segundo a polícia, demonstravam que os integrantes buscavam transformar as ameaças feitas na internet em ações concretas.

O delegado Maurílio Coelho, coordenador de Inteligência da PCDF, afirmou que o grupo chegou a compartilhar informações sobre a estrutura do Palácio do Planalto para discutir uma possível ação.

“A planta deles é assim, a gente pode entrar por aqui, sair por aqui.”

Para as autoridades, o conteúdo encontrado demonstrava que a atuação do grupo ultrapassava manifestações de ódio ou opiniões extremistas publicadas nas redes sociais.

O ministro Wellington César Lima e Silva também destacou a gravidade das conversas identificadas durante a investigação.

“Não eram práticas inocentes. O que estava ali sendo engendrado eram atentados sérios.”

Ataques seriam realizados em Brasília

A investigação aponta que os suspeitos pretendiam realizar uma ação de grande impacto na capital federal. O Palácio do Planalto aparecia como um dos principais alvos, com a possibilidade de atingir o presidente Lula caso ele estivesse no local.

Também havia discussões sobre um ataque ao edifício que receberia o debate do segundo turno das eleições. Para os investigadores, os planos tinham como objetivo provocar violência e atingir instituições consideradas símbolos do Estado brasileiro.

As autoridades passaram a acompanhar as comunicações do grupo depois que informações levantadas pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública chegaram à Polícia Civil do Distrito Federal.

A investigação contou com o apoio do Ciberlab, laboratório especializado no combate a crimes praticados no ambiente digital. A estrutura foi utilizada para analisar as comunicações e identificar o nível de organização dos envolvidos.

Buscas foram realizadas em cinco estados

Na terça-feira (4), policiais cumpriram oito mandados de busca e apreensão em cidades de Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Pernambuco e Rio Grande do Sul.

Durante a operação, foram apreendidos computadores, celulares, materiais de propaganda nazista, facas e armas de fogo. A análise dos equipamentos eletrônicos deve ajudar os investigadores a identificar a extensão da rede e verificar se os suspeitos haviam avançado para outras etapas do planejamento.

O relatório produzido a partir do monitoramento apontou a presença de conteúdo neonazista, racista, homofóbico e misógino, além de incentivo à violência. Segundo as autoridades, os administradores dos grupos buscavam identificar participantes que estariam dispostos a praticar ações violentas.

Investigação continua

Nesta etapa da Operação Rede Interrompida, a estratégia das autoridades foi concentrar as medidas na coleta de provas e na identificação da estrutura do grupo. Os equipamentos apreendidos continuam sendo analisados pela polícia.

Os investigados podem responder por crimes relacionados à associação criminosa, apologia e distribuição de material nazista e incitação ao crime, conforme o avanço da investigação e a análise das provas reunidas.

A polícia também deverá verificar se o grupo possuía capacidade operacional para colocar em prática os ataques planejados e se outros integrantes participaram da articulação.

O caso chama atenção das autoridades para o uso de ambientes digitais como espaço de recrutamento e radicalização. Para o ministro Wellington César Lima e Silva, o monitoramento dessas redes é necessário para identificar ameaças antes que elas resultem em ações violentas.

“A internet representa um número muito expressivo das ocorrências criminais”, afirmou.

Fonte: Revista Fórum