Mundo

ARMAS

Medidas pró-armas de Trump podem favorecer crime organizado

Flexibilização nos EUA preocupa por facilitar acesso a armamentos no Brasil

Da Redação

17 de julho de 2026 às 09:32 ▪ Atualizado há 1 hora

Ver resumo
  • A flexibilização das regras de venda de armas por Trump nos EUA pode facilitar o acesso de facções criminosas brasileiras a armamentos pesados.
  • Especialistas avaliam que medidas como vendas pelos correios e menor exigência de registros representam riscos.
  • Os EUA já são uma fonte significativa de armas para o crime organizado no Caribe e América Latina.
  • Estudo indica que 54% dos fuzis ilegais no Sudeste do Brasil são de fabricação dos EUA.
  • Facilidade de envio por correio dificulta a identificação e apreensão de armas.
  • O lobby pró-armas nos EUA complica o controle da exportação para mercados vulneráveis.
  • Em 2025, restrições para exportação de armas foram revogadas para 36 países.
  • A prática vai contra o combate ao crime organizado na América Latina.

Agência Brasil Em 2025, as restrições para exportação de armas para 36 países foram revogadas, criando novas oportunidades para fabricantes dos EUA
Em 2025, as restrições para exportação de armas para 36 países foram revogadas, criando novas oportunidades para fabricantes dos EUA

A flexibilização das regras para venda de armas anunciada pelo governo de Donald Trump nos Estados Unidos pode facilitar o acesso de facções criminosas no Brasil a armamentos pesados. A avaliação é de especialistas em segurança pública ouvidos pela Agência Brasil.

Entre as medidas propostas pelo Departamento de Álcool, Tabaco, Armas de Fogo e Explosivos (ATF, na sigla em inglês), destacam-se a permissão para compras de armas pelos correios e a redução do tempo para manutenção de registros de vendas. Essas alterações são vistas como um risco adicional, dado que os EUA já são uma fonte significativa de armas para o crime organizado em várias regiões.

Estudos demonstram que um alto percentual das armas de fogo apreendidas no Caribe e em outras localidades tem origem nos EUA. No Brasil, um levantamento do Journal of Illicit Economies and Development mostrou que, entre 2019 e 2023, 54% dos fuzis ilegais apreendidos no Sudeste eram de fabricação norte-americana.

Bruno Langeani, do Instituto Sou da Paz, alerta que a facilidade de envio de peças semiprontas por correio, sem registros adequados, torna mais difícil a identificação e apreensão pelas alfândegas, beneficiando o tráfico de armas.

Robson Rodrigues, cientista social da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, observa que o fortalecimento do lobby pró-armas nos EUA amplia a dificuldade de controle da exportação para mercados vulneráveis, como o brasileiro.

Em 2025, as restrições para exportação de armas para 36 países foram revogadas, criando novas oportunidades para fabricantes dos EUA, em detrimento da segurança pública internacional. Para Langeani, a prática vai na contramão dos esforços declarados pelos EUA de combate ao crime organizado na América Latina.

Fonte: Agência Brasil