CHINA X EUA
Teresinha Ferreira
17 de julho de 2026 às 07:01 ▪ Atualizado há 1 hora
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a colocar a segurança das eleições no centro do debate político ao afirmar que a China obteve informações de aproximadamente 220 milhões de eleitores norte-americanos. Segundo ele, a operação teria começado durante o ciclo eleitoral de 2020 e representa "o maior comprometimento de dados eleitorais da história".
A declaração foi acompanhada da divulgação de documentos desclassificados pela Casa Branca, que, segundo Trump, demonstrariam como órgãos de inteligência identificaram o acesso chinês às bases de dados de eleitores americanos.
Quando os dados teriam sido coletados?
Os documentos publicados pela Casa Branca indicam que a obtenção das informações não ocorreu em um único ataque cibernético. De acordo com o material divulgado, a coleta começou durante o ciclo eleitoral de 2020 e se estendeu pelos anos seguintes. Um dos relatórios afirma que agentes ligados ao governo chinês teriam obtido registros eleitorais disponíveis entre 2013 e 2021, realizando downloads em 2022 para formar uma grande base de dados contendo nomes, endereços, telefones e preferências partidárias de milhões de eleitores americanos.
O que havia nesses registros?
Segundo a Casa Branca, a base continha informações como:
O governo americano afirma que essas informações poderiam ser utilizadas em campanhas de influência política, operações de desinformação e ações de inteligência estrangeira.
Especialistas contestam interpretação
Apesar da gravidade das declarações, especialistas em segurança eleitoral fazem uma distinção importante. Nos Estados Unidos, diversos estados disponibilizam registros eleitorais para consulta pública ou comercializam essas bases para partidos políticos, pesquisadores e empresas autorizadas.
Por isso, o fato de agentes chineses terem obtido esses arquivos não significa necessariamente que houve invasão aos sistemas eleitorais ou alteração dos votos. Especialistas ouvidos pela imprensa americana afirmam que, até o momento, não existe evidência pública de que as urnas, os bancos de dados oficiais ou a contagem dos votos tenham sido comprometidos.
Inteligência americana mantém posição
A nova declaração de Trump também entra em conflito com uma avaliação da comunidade de inteligência dos Estados Unidos divulgada em 2021.
Na ocasião, o relatório concluiu que não havia evidências de que governos estrangeiros tivessem alterado tecnicamente o processo eleitoral de 2020, incluindo cadastros de eleitores, urnas eletrônicas, contagem de votos ou divulgação dos resultados.
O próprio documento reconhecia que países como China, Rússia e Irã possuíam capacidade para realizar operações de influência, mas não encontrou provas de manipulação direta da eleição presidencial.
China rejeita acusações
O governo chinês negou as declarações do presidente americano. Em nota divulgada após o pronunciamento, Pequim classificou as acusações como "totalmente fabricadas" e reiterou que nunca interferiu nem pretende interferir nas eleições dos Estados Unidos.
Debate deve continuar
A divulgação dos documentos ocorre em um momento de intensa disputa política nos Estados Unidos, quando Trump busca aprovar novas medidas para endurecer as regras eleitorais. A expectativa agora é que especialistas em inteligência, cibersegurança e direito eleitoral analisem detalhadamente o material divulgado para verificar se as evidências apresentadas sustentam as conclusões anunciadas pela Casa Branca.
Até o momento, os documentos indicam que houve acesso a grandes volumes de registros eleitorais, mas não demonstram que esse acesso tenha alterado o resultado da eleição presidencial de 2020.
Fonte: CNN
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