A democrata Kamala Harris conseguiu desestabilizar o ex-presidente e candidato à reeleição, Donald Trump, durante o primeiro debate presidencial realizado nessa terça-feira (10), na Filadélfia. Embora o início tenha sido cordial, com um aperto de mãos, o clima mudou rapidamente. Durante os 90 minutos de debate, Kamala Harris fez ataques pessoais que tiraram o foco do republicano e acirraram o embate que todos aguardavam.
Harris provocou Trump sobre o tamanho das multidões em seus comícios, seu comportamento durante a invasão ao Capitólio e as críticas de ex-integrantes de seu governo. Essas provocações deixaram Trump na defensiva, forçando-o a justificar aspectos de seu passado e de sua campanha.
Um dos momentos mais marcantes foi quando Harris comentou sobre os comícios de Trump, sugerindo que eles eram entediantes e que as pessoas começavam a ir embora mais cedo por exaustão. Isso claramente abalou o ex-presidente, que passou a maior parte de sua resposta defendendo o tamanho de seus eventos e minimizando os de Harris, em vez de se concentrar em questões mais substanciais.
Trump também se envolveu em uma longa discussão sobre uma notícia desmentida que afirmava que imigrantes haitianos em Springfield, Ohio, estariam roubando e comendo animais de estimação. Essa digressão sobre uma questão infundada desviou a atenção de tópicos mais relevantes.
Se debates são ganhos ou perdidos com base na capacidade dos candidatos de explorar seus pontos fortes e evitar suas fraquezas, então o debate de terça-feira favoreceu claramente Harris.
Pesquisas da CNN e casas de aposta indicaram que ela teve um desempenho superior. Harris começou a debate explorando as fraquezas de Trump em questões de economia e aborto. Embora a administração Biden, da qual Harris faz parte, enfrente críticas sobre inflação e economia, Harris virou a mesa ao discutir propostas de Trump sobre tarifas, que ela chamou de "imposto de vendas de Trump", e ao criticar o controverso Projeto 2025, um plano conservador para um futuro governo republicano.
Trump tentou se distanciar do Projeto 2025 e defendeu seu plano de tarifas, argumentando que o governo Biden manteve muitas das tarifas que ele instituiu. Embora esses pontos fossem válidos, eles impediram Trump de atacar Harris em temas como inflação e preços dos consumidores.
No tópico do aborto, Trump defendeu seu histórico, afirmando que muitos americanos queriam a reversão da decisão histórica Roe v. Wade. No entanto, pesquisas de opinião não corroboram essa afirmação, e sua resposta foi muitas vezes confusa. Harris, por outro lado, fez um apelo emocional sobre famílias enfrentando gravidezes complicadas e restrições ao aborto, criticando as "proibições de Trump ao aborto". Sua mensagem foi poderosa e demonstrou sua vantagem nesse tema.
Harris utilizou provocação e ironia de forma eficaz durante o debate, colocando Trump na defensiva. Em uma ocasião, Trump se desviou de ataques à vice-presidente sobre sua mudança de postura no fracking para discutir a pequena quantidade de dinheiro que recebeu de seu pai.
Além disso, Harris desviou a discussão sobre a retirada do Afeganistão para criticar as negociações de Trump com o Talebã e seu convite a eles para Camp David. Essa tática de mudar de assunto quando confrontada com pontos fracos se repetiu ao longo do debate.
Republicanos levantaram queixas sobre o que consideraram um favorecimento da vice-presidente pelos moderadores, David Muir e Linsey Davis, da ABC, que realizaram checagens de dados durante o debate. No entanto, foram as respostas e a reação de Trump às provocações de Harris que marcaram o debate.
A campanha de Harris, que inicialmente hesitou em aceitar outro debate, rapidamente pediu a realização de um novo confronto antes de novembro.
Fonte: Terra