ESMOLAS

Autoridades discutem prática de mendicância de venezuelanos em Teresina

Os imigrantes estão pedindo esmolas com crianças nos sinais de trânsito


Venezuelanos pedem esmola em Teresina

Venezuelanos pedem esmola em Teresina Foto: Paulo Pincel

Nos últimos 40 dias, mais de 150 venezuelanos vieram a Teresina em busca de melhores condições de vida. A prática de pedir esmolas nos sinais de trânsito da cidade têm levantado discussões na capital piauiense. Algumas pessoas relatam que ofereceram alimentos aos venezuelanos, mas eles teriam recusado e enfatizado que só aceitam ajuda em dinheiro. Com vários relatos sobre essa situação, muita gente tem cobrado soluções das autoridades a respeito dos imigrantes, ressaltando que eles expõem crianças ao sol para praticar mendicância nos sinais de trânsito.

Nesta semana, representantes da Gerência de Direitos Humanos e Conselhos Tutelares de Teresina, 1ª Vara da Infância e da Juventude, Promotoria da Infância e da Juventude e Polícia Militar se reuniram na Secretaria Municipal de Cidadania, Assistência Social e Políticas Integradas (Semcaspi) para discutir soluções para este problema. Na reunião, foi traçado um plano de ação para o controle na utilização de crianças por parte dos venezuelanos e conscientização no combate a prática.

“A partir da próxima semana, uma equipe formada por conselheiros tutelares, tradutor e agentes de proteção social farão parte da comitiva para vistoriar os sinais de trânsito e coibir as ações que infringem as leis municipais. Vamos destacar essa equipe para fazer a verificação e encaminhamento das crianças venezuelanas aos abrigos que eles já estão acolhidos. Em paralelo, nós faremos um trabalho midiático de conscientização para que a população não fortaleça o trabalho da mendicância”, disse o secretário da Semcaspi, Samuel Silveira.



A conselheira tutelar Lucileide Alves contou que um trabalho de conscientização da saúde vai ser inserido nessa campanha, devido às famílias venezuelanas não estarem aderindo o tratamento de saúde oferecido pelo município. “É importante entender que esse trabalho de mendicância coloca em risco a vida das crianças que podem sofrer um acidente ou pegar alguma doença diante dessa exposição. Esse é o primeiro contato que o Conselho Tutelar está fazendo e que a gente acredita que o diálogo vai surtir o efeito esperado”, informou.

A presidente do Conselho Municipal da Criança e do Adolescente, Karol Neves, disse que o órgão é um dos responsáveis por fazer a fiscalização e que essa medida visa garantir o direito da criança diante do problema social. “Apesar de saber que essa prática é normal pra eles o nosso código de lei proíbe aqui no município. Muitas denúncias estão chegando e mostram um incomodo por parte da população”, disse a presidente.

A juíza titular da 1ª Vara da Infância e da Juventude, Maria Luíza de Moura Mello, contou que uma audiência pública já foi realizada pelo Tribunal de Justiça no intuito de se encontrar uma solução, mas que é preciso cautela já que se trata de uma situação cultural do país de origem.  “É uma outra língua e outros costumes que infringem a nossa lei, mas que estamos acolhendo e buscando o diálogo para atender a ajuda humanitária que é assegurada pelo acordo entre os países. Os conselheiros tutelares e o intérprete terão papel preponderante para o entendimento das partes”, disse.

Fonte: Semcaspi

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