COPA 2026
Luiz Brandão
20 de junho de 2026 às 00:01 ▪ Atualizado há 2 horas
A Seleção Brasileira voltou a decepcionar nesta sexta-feira (19) ao vencer o Haiti por apenas 3 a 0, no Lincoln Financial Field, na Filadélfia, pela segunda rodada do Grupo C da Copa do Mundo de 2026. Apesar do placar favorável, a equipe de Carlo Ancelotti não mostrou evolução em relação à estreia e segue sem convencer.
A vitória do Brasil foi construída na fragilidade do rival. O Brasil até construiu uma vantagem confortável ainda no primeiro tempo. Matheus Cunha marcou dois gols (aos 22 e 37 minutos) e Vinícius Júnior fechou o placar parcial já nos acréscimos.
Os números, porém, mascaram a realidade dentro de campo. O Haiti, que voltou à Copa após 52 anos e nunca pontuou na competição, finalizou apenas uma vez sequer contra o gol de Alisson. A superioridade técnica era esperada — o retrospecto histórico do Brasil contra os haitianos é de 100% de aproveitamento, com 17 gols marcados em três jogos.
Dependência individual preocupa
O que preocupa é justamente a forma como essa vitória foi construída. A Seleção Brasileira segue sem um esquema tático definido e sobrevive do talento individual de seus jogadores. Os dois primeiros gols nasceram de lances individuais: o primeiro veio de um rebote após finalização de Vinícius Júnior, e o segundo de uma jogada trabalhada entre Paquetá e Vini, com Cunha aparecendo para finalizar.
O terceiro gol coroou a dependência do Brasil em lampejos individuais: Vinícius Júnior arrancou em velocidade, passou pela marcação haitiana e finalizou com precisão.
"O time parece não se encontrar em campo. Vive-se de jogadas de iniciativa dos atletas, que tentam resolver o jogo por conta própria, e não de uma demonstração de equipe", analisa a crítica generalizada após a partida.
Ancelotti ainda busca identidade
O técnico Carlo Ancelotti segue sem encontrar a identidade da seleção. A equipe oscila entre momentos de pressão alta e outros de completo descontrole, com os jogadores recorrendo à improvisação para desfazer a defesa adversária. Em muitos momentos, principalmente no segundo tempo, o time se mostrou apático, sem garra e sem vontade de jogar para garantir um placar mais elástico.
A lesão de Raphinha, que deixou o campo aos 39 minutos do primeiro tempo com dores, preocupa ainda mais o comandante italiano, especialmente com Neymar ainda se recuperando de lesão na panturrilha. O Brasil não tem ataque entrosado e decisivo, que meta medo na defesa adversária.
Não se enganem. O time de Ancelotti é fraco e se enfrentar seleções como a da França, Inglaterra e Alemanha pode sofrer novamente goleada histórica, como a surra de 7 a 1 que sofreu dos alemães na Copa de 2014 em pleno estádio Mineirão, em Belo Horizonte.
Com o resultado desta sexta-feira, na Filadélfia, o Brasil se aproxima da classificação para as oitavas, mas o futebol apresentado até agora indica dificuldades para avançar além das quartas de final, como apontam analistas. A vitória sobre o Haiti não apaga as dúvidas deixadas no empate por 1 a 1 contra Marrocos na estreia.
Se quiser manter vivo o sonho do Hexa, a Seleção precisará mostrar muito mais futebol. Os lampejos individuais de Vinícius Júnior e Matheus Cunha podem até resolver contra adversários frágeis, mas não serão suficientes diante de seleções mais organizadas taticamente na fase eliminatória.

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