Educação

MPF RECORRE

MPF recorre de absolvição de Nouga em contrato milionário

Recurso questiona compra de 100 mil livros por R$ 6,5 milhões durante a gestão do ex-secretário na Educação de Teresina

Teresinha Ferreira

07 de agosto de 2026 às 08:07 ▪ Atualizado há 1 hora

Ver resumo
  • O MPF recorreu contra a absolvição do ex-secretário de Educação de Teresina e um empresário.
  • O caso envolve a compra de 100 mil livros "Teresina Educativo" por R$ 6,5 milhões sem licitação.
  • Alega-se uso indevido de inexigibilidade de licitação, pois haveria outras obras similares disponíveis.
  • O MPF questiona a necessidade dos 100 mil exemplares para menos de 92 mil alunos.
  • Uma diferença de quase 20 mil livros, com prejuízo de R$ 1,3 milhão, é apontada.
  • Critica-se a falta de pesquisa de mercado e negociação do preço.
  • O MPF busca a condenação e reparação do valor do contrato.
  • A decisão final cabe ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região.

Reprodução Nouga Cardoso
Nouga Cardoso

O Ministério Público Federal (MPF) apresentou recurso contra a sentença que absolveu o ex-secretário municipal de Educação de Teresina Nouga Cardoso Batista e o empresário Braulino Teófilo Filho. O processo envolve a compra direta de 100 mil exemplares do livro Teresina Educativo, realizada em 2021 por R$ 6,5 milhões.

A aquisição foi feita por inexigibilidade de licitação, modalidade permitida quando a competição é considerada inviável. No recurso, entretanto, o MPF sustenta que esse procedimento teria sido empregado de maneira indevida para contratar a empresa responsável pelos livros. Segundo a argumentação ministerial, a existência de exclusividade comercial sobre um título específico não seria suficiente para afastar a possibilidade de competição. Outras obras pedagógicas sobre a história de Teresina, conforme o órgão, poderiam ter sido avaliadas pela administração municipal.

Quantidade de livros é questionada

Outro ponto levantado pelo MPF é a compra de 100 mil exemplares. A Secretaria Municipal de Educação teria justificado a quantidade com base em um universo de aproximadamente 92 mil alunos. O recurso afirma que dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira indicavam um número menor de estudantes no ensino fundamental da rede municipal. Para o MPF, o possível excedente de quase 20 mil livros teria provocado prejuízo mínimo de R$ 1,3 milhão. O órgão também questiona a ausência de pesquisa de mercado e de negociação sobre o preço unitário de R$ 65, mesmo diante da compra em grande escala.

MPF pede condenação

A apelação foi assinada pelo procurador da República Tranvanvan da Silva Feitosa e deverá ser analisada pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região. O MPF pede a reforma da sentença e a condenação dos acusados pelo crime de contratação direta ilegal, além da fixação de reparação mínima equivalente ao valor integral do contrato. Nouga Cardoso afirmou que o MPF tem o direito de recorrer e que continua acreditando nos argumentos apresentados pela defesa. O ex-secretário destacou que foi absolvido após a análise do processo pela Justiça. A apresentação do recurso não modifica automaticamente a absolvição. Caberá ao Tribunal examinar os argumentos das partes e decidir se mantém ou reforma a sentença.

Fonte: MPF