Economia

FINANÇAS

Alta da gasolina e dos alimentos dispara e prévia da inflação sobe para 0,89%

Alimentação e bebidas e transportes foram os principais responsáveis pela alta

Gilson Rocha

28 de abril de 2026 às 13:01 ▪ Atualizado há 1 hora

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  • A inflação em abril subiu para 0,89%, a maior desde fevereiro, impulsionada por alimentos e combustíveis.
  • No acumulado de 12 meses, o IPCA-15 está em 4,37%.
  • Alimentos e bebidas aumentaram 1,46%; transportes subiram 1,34%.
  • Produtos como cenoura, cebola e leite longa vida tiveram altas significativas.
  • Combustíveis aumentaram 6,06%, com destaque para a gasolina (6,23%) e o óleo diesel (16%).
  • O conflito EUA x Irã afeta preços globais de combustíveis.
  • Medidas governamentais tentam conter efeitos, mas resultados ainda são limitados.
  • A inflação segue dentro da meta do governo (3% ao ano, com tolerância de 1,5% para mais ou menos).
  • Os dados foram coletados entre 18 de março e 15 de abril.
  • O IPCA-15 antecipa a inflação oficial, mas se baseia em metodologia semelhante ao IPCA.

Gasolina dispara, alimentos sobem e inflação acelera para 0,89%
Gasolina dispara, alimentos sobem e inflação acelera para 0,89%

A pressão no custo de vida voltou a pesar no orçamento dos brasileiros em abril, impulsionada principalmente pelo aumento nos preços dos alimentos e dos combustíveis. Com isso, a prévia da inflação oficial registrou alta de 0,89% no mês, superando o índice observado anteriormente (0,44%) e alcançando o maior patamar desde fevereiro, quando ficou em 1,23%.

No acumulado dos últimos 12 meses, o IPCA-15 soma 4,37%, acima dos 3,9% registrados até março. O indicador, considerado uma antecipação da inflação oficial do país, mostra uma tendência de aceleração nos preços.

As informações foram divulgadas nesta terça-feira (28) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, responsável pelo cálculo do índice com base em uma cesta de produtos e serviços consumidos pelas famílias brasileiras.

Entre os nove grupos analisados, alimentação e bebidas e transportes foram os principais responsáveis pela alta. Veja os resultados e impactos:

  • Alimentação e bebidas: 1,46% (0,31 p.p.)
  • Transportes: 1,34% (0,27 p.p.)
  • Saúde e cuidados pessoais: 0,93% (0,13 p.p.)
  • Habitação: 0,42% (0,07 p.p.)
  • Vestuário: 0,76% (0,04 p.p.)
  • Despesas pessoais: 0,32% (0,03 p.p.)
  • Artigos de residência: 0,48% (0,02 p.p.)
  • Comunicação: 0,48% (0,02 p.p.)
  • Educação: 0,05% (0,00 p.p.)

No grupo de alimentação, o aumento foi puxado principalmente pelos produtos consumidos dentro de casa, cuja variação passou de 1,10% em março para 1,77% em abril. Entre os itens que mais subiram estão cenoura (25,43%), cebola (16,54%), leite longa vida (16,33%), tomate (13,76%) e carnes (1,14%). Já a alimentação fora do domicílio teve alta de 0,70%, o dobro do mês anterior.

O economista-chefe da Associação Paulista de Supermercados (Apas), Felipe Queiroz, explica que a elevação dos preços está ligada ao período de menor oferta agrícola. “A menor produção de alguns itens, inclusive leite, tem pressionado o indicador”, afirma.

No setor de transportes, o avanço foi impulsionado pelos combustíveis, que registraram aumento de 6,06%. A gasolina teve alta de 6,23%, sendo o item com maior impacto individual no índice (0,32 ponto percentual), enquanto o óleo diesel subiu 16%, contribuindo com 0,04 ponto percentual.

Guerra EUA x Irã

O cenário internacional também tem influenciado diretamente esses aumentos. O conflito envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã no Oriente Médio tem afetado a produção e o transporte de petróleo, especialmente no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o escoamento global de energia. Antes da guerra, cerca de 20% do petróleo e gás mundial passava pela região.

Essa instabilidade reduz a oferta global e pressiona os preços internacionais, afetando combustíveis como gasolina e diesel, que são commodities. Por isso, mesmo países produtores, como o Brasil, sentem os impactos no mercado interno.

Para conter os efeitos, o governo brasileiro tem adotado medidas como isenção de impostos e subsídios para produtores e importadores. Ainda assim, segundo Felipe Queiroz, os resultados são limitados. “Um conjunto de ações adotadas para atenuar os efeitos da guerra sobre a economia doméstica têm apresentado ainda efeito diminuto, mas importante”.

Apesar da alta recente, o índice segue dentro da meta de inflação estabelecida pelo governo, que é de 3% ao ano, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.

O IPCA-15 segue metodologia semelhante ao índice oficial (IPCA), com a diferença de que seus dados são coletados antes do fechamento do mês. Neste caso, o levantamento considerou os preços entre 18 de março e 15 de abril.

A pesquisa leva em conta o consumo de famílias com renda entre um e 40 salários mínimos, atualmente fixado em R$ 1.621. O índice é calculado em 11 regiões do país, enquanto o IPCA completo abrange 16 localidades. O resultado oficial da inflação de abril será divulgado no dia 12 de maio.

Fonte: Agência Brasil