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Tesouro Direto tem forte alta nas taxas e mercado amplia apostas em inflação persistente.

Títulos atrelados ao IPCA lideram altas após dados da economia dos EUA e revisão das projeções para inflação e juros no Brasil

Teresinha

08 de junho de 2026 às 16:00 ▪ Atualizado há 1 hora


Investimento Tesouro Direto
Investimento Tesouro Direto

As taxas dos títulos públicos negociados pelo Tesouro Direto abriram em forte alta nesta segunda-feira (8), renovando os maiores níveis do ano. O movimento foi puxado pelos papéis atrelados à inflação, em meio à piora das expectativas inflacionárias no Brasil e à repercussão de dados mais fortes da economia dos Estados Unidos.

O destaque ficou com o Tesouro IPCA+ 2050, cuja rentabilidade passou de 7,19% na sexta-feira (5) para 7,32% nesta segunda, alta de 13 pontos-base. Também registraram avanços expressivos o Tesouro IPCA+ 2060 com juros semestrais, de 7,43% para 7,53%, e o IPCA+ 2040, de 7,54% para 7,64%.

Nos vencimentos mais curtos, o Tesouro IPCA+ 2032 superou a marca de 8%, atingindo 8,28%.

A pressão sobre os títulos ocorre após a divulgação do Boletim Focus, que elevou a projeção da taxa Selic para 13,5% ao ano em 2026 e revisou a estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 5,09% para 5,11%.

Já os títulos prefixados apresentaram variações mais moderadas. O Tesouro Prefixado 2029 avançou de 14,69% para 14,72%, enquanto o Prefixado 2032 passou de 14,68% para 14,70%. O Prefixado com Juros Semestrais 2037 subiu de 14,72% para 14,74%.

Segundo analistas, a diferença de comportamento entre os títulos indexados à inflação e os prefixados indica que o mercado passou a precificar um risco inflacionário mais persistente no longo prazo. Entre os fatores que contribuem para esse cenário estão os dados robustos do mercado de trabalho dos Estados Unidos, as incertezas geopolíticas no Oriente Médio e a expectativa pela divulgação do IPCA de maio nesta semana.

Para Otávio Araújo, consultor sênior da ZERO Markets Brasil, a inflação segue como principal preocupação dos investidores. “O mercado vem elevando as projeções para a inflação de 2026, o que reforça a percepção de juros domésticos elevados por mais tempo e reduz o espaço para cortes no curto prazo”, avalia.

Na mesma linha, Leonardo Costa, economista do ASA, afirma que, embora o IPCA de maio deva apresentar desaceleração, a composição dos preços continua preocupante. Segundo ele, persistem pressões em setores como serviços e bens industrializados, mantendo o cenário inflacionário desafiador para os próximos meses.

Veja as taxas do Tesouro Direto às 9h30 desta segunda-feira (8):

Título                                                          Rendimento Anual      Vencimento

Tesouro Reserva 2036SELIC01/01/2036
Tesouro Selic 2031SELIC + 0,0743%01/03/2031
Tesouro Prefixado 202914,72%01/01/2029
Tesouro Prefixado 203214,70%01/01/2032
Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 203714,74%01/01/2037
Tesouro IPCA+ 2032IPCA + 8,28%15/08/2032
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2037IPCA + 7,91%15/05/2037
Tesouro IPCA+ 2040IPCA + 7,64%15/08/2040
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2045IPCA + 7,65%15/05/2045
Tesouro IPCA+ 2050IPCA + 7,32%15/08/2050
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2060IPCA + 7,53%15/08/2060

Fonte: InfoMoney



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