FEIRA DA AGRICULTURA FAMILIAR
Natalia Costa
02 de julho de 2026 às 16:58 ▪ Atualizado há 1 hora
As histórias de vida, a força e a resistência das mulheres marisqueiras do litoral piauiense ganharam destaque na exposição "Entre Corpose Territórios: a Vida das Mulheres da Maré", aberta ao público durante a III Feira da Agricultura Familiar, no Espaço Rosa dos Ventos, da Universidade Federal do Piauí (UFPI), em Teresina.
A mostra é resultado do Projeto Ames, desenvolvido ao longo de um ano e meio com mulheres que vivem da mariscagem. A proposta é dar visibilidade às trajetórias dessas trabalhadoras, revelando não apenas a atividade no mangue, mas também os desafios enfrentados dentro de casa, o papel desempenhado nas comunidades e a importância da organização coletiva.
Um dos curadores da exposição, Ricardo Rocha, explica que todo o conteúdo foi construído a partir da convivência com as marisqueiras e das experiências compartilhadas durante o projeto.

"Essa exposição se iniciou como resultado do Projeto Ames. O projeto já vem há um ano e meio trabalhando com essas mulheres. É um trabalho em rede, e a gente vem trazendo a importância de se trabalhar em rede, de que as mulheres juntas são mais fortes."
A exposição é dividida em ambientes que representam diferentes momentos da vida dessas mulheres. O primeiro reproduz a cozinha das casas das marisqueiras, com objetos que simbolizam a rotina doméstica e a dupla jornada enfrentada por elas.

"O primeiro espaço vai retratar um pouco da casa dessas mulheres. O ambiente que a gente representou foi a cozinha. Trouxemos alguns elementos bem marcantes que vimos durante esse tempo, elementos de cada casa, para representar esse ambiente de luta delas", afirma Ricardo.
Outro espaço apresenta a etapa da catação do marisco, com fotografias, utensílios utilizados no trabalho e mapas afetivos desenhados pelas próprias participantes, revelando a relação que elas mantêm com seus territórios e com as comunidades onde vivem.

Na última sala, o público conhece as histórias de vida das marisqueiras, o beneficiamento do marisco e uma linha do tempo que reúne os principais momentos do projeto e retrata quem são essas mulheres.

Segundo Ricardo Rocha, o principal objetivo da exposição é romper a invisibilidade histórica vivida pelas marisqueiras e reconhecer a contribuição delas para a cultura, a economia e a identidade do litoral piauiense.
"A mensagem é que essas mulheres têm que sair da invisibilidade, têm que procurar ser vistas. E aqui essa exposição é justamente para isso, para divulgar esse trabalho delas, ter reconhecimento."
A exposição permanece aberta à visitação durante a programação da III Feira da Agricultura Familiar e convida o público a conhecer de perto as histórias de mulheres que transformam o trabalho no manguezal em sustento, identidade e resistência para suas famílias e comunidades.
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