
A internet faz parte do dia a dia de crianças e adolescentes, mas junto com as oportunidades de aprendizado e diversão, vêm também riscos sérios. Enfrentar esse desafio exige um esforço conjunto, na opinião da delegada Rosa Chaib e do delegado Hugo Alcântara, da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) em Teresina. Eles gravaram entrevista no Podcast Piauí Hoje, com a jornalista Malu Barreto.
Os delegados defenderam que, além das punições legais, o foco precisa estar em prevenção. Isso significa conscientizar famílias, criar espaços digitais seguros e cobrar que as plataformas de tecnologia assumam seu papel. “As redes sociais não criaram o problema, mas fazem parte dele. Por isso, também precisam ser parte da solução”, afirmou Rosa Chaib, ressaltando que enfrentar os crimes digitais contra crianças deve envolver famílias, escolas, sociedade, plataformas digitais e criação de políticas públicas.
Um alerta feito pelos profissionais foi para a exposição feita pelos próprios pais. Muitos criam perfis para crianças ou compartilham excessivamente a rotina dos filhos. Para os delegados, é essencial lembrar que crianças e adolescentes têm direito à intimidade. O recado para as famílias é que acompanhem de perto as redes sociais dos filhos, observem amizades, conversem sobre riscos e fiquem atentos a perfis paralelos que adolescentes podem criar para fugir da vigilância.
“Assim como não deixamos uma criança sozinha em uma praça ou parque aquático, também não podemos deixá-la sozinha em uma rede social”, comparou a delegada Rosa, lembrando que estudos internacionais já apontam que a exposição precoce pode comprometer o desenvolvimento emocional e cognitivo de toda uma geração.
Durante a entrevista, foi discutida a adultização de crianças. O termo se refere a comportamentos de crianças e adolescentes que imitam o universo adulto, como falar sobre dinheiro, negócios ou reproduzir danças erotizadas. “A criança não entende o que está fazendo, apenas replica. Mas quem assiste, muitas vezes um pedófilo, enxerga de outra forma”, alerta o delegado Hugo.
A delegada Rosa chamou atenção para algo comum visto nas redes sociais: vídeos de crianças em atividades aparentemente simples, como uma aula de ginástica ou brincando na praia, podem ser capturados, manipulados com inteligência artificial e usados de forma criminosa. “As famílias postam sem maldade, mas é preciso entender que, do outro lado, existem pessoas que veem aquilo com outros olhos”, alertou.
Como agem os pedófilos
Os delegados explicaram que os criminosos não estão apenas em redes sociais abertas. Muitas vezes, atuam em chats de jogos infantis ou criam perfis falsos se passando por adolescentes. A estratégia é sempre seduzir, ganhar a confiança e, depois, pedir fotos. Quando a vítima resiste, começa a chantagem. “Em 15 minutos, o estranho vira o melhor amigo da criança na internet”, disse o delegado Hugo.
Casos assim não são distantes da realidade local. Recentemente, a DPCA prendeu em Teresina um homem que armazenava mais de mil imagens de pornografia infantil, muitas registradas em shoppings da capital.
Denunciar é fundamental para combater esse tipo de crime. Os canais disponíveis são o Disque 100, os Conselhos Tutelares, o Ministério Público, a Defensoria Pública e qualquer delegacia de polícia. As denúncias podem ser feitas de forma anônima e os processos sempre correm em sigilo, garantindo a proteção de quem procura ajuda.
Confira à entrevista completa