Brasil

MORTE DE FEMINISTA

Amelinha Teles, símbolo da luta feminista, morre aos 81 anos

A ativista foi torturada durante a ditadura militar e lutou pelos direitos das mulheres.

Teresinha Ferreira

15 de setembro de 2026 às 13:45 ▪ Atualizado há 2 horas

Ver resumo
  • Amelinha Teles, ativista política e feminista, faleceu aos 81 anos.
  • Foi presa e torturada em 1972 durante a ditadura militar no Brasil.
  • Enfrentou o major Carlos Alberto Brilhante Ustra no DOI-Codi de São Paulo.
  • Seu marido e o companheiro de militância também foram vítimas de tortura; ela testemunhou o assassinato de Carlos Nicolau Danielli.
  • Seus filhos pequenos vivenciaram o sequestro e torturas dos pais.
  • Contribuiu para o Jornal Brasil Mulher e foi influente na implementação da Lei Maria da Penha.
  • Participou de um podcast que discutiu os beneficiados pelo regime militar de 1964.
  • Apoiou uma pesquisa da Unifesp sobre responsabilidades empresariais na ditadura.
  • Ressaltava a importância de lembrar e entender o período ditatorial para a história democrática.
  • A Rede de Desenvolvimento Humano e outras organizações lamentaram sua perda, destacando seu impacto na luta pelos direitos das mulheres.

Agência Brasil Amelinha Teles
Amelinha Teles

A ativista política e feminista Amelinha Teles morreu nesta terça-feira (15), aos 81 anos. Ela foi presa em 28 de dezembro de 1972, sendo levada à Operação Bandeirantes (Oban), onde sofreu tortura.

Amelinha enfrentou o major do exército Carlos Alberto Brilhante Ustra, então comandante do DOI-Codi de São Paulo. De acordo com o Memórias da Ditadura, seu marido César Augusto Teles e o companheiro de militância Carlos Nicolau Danielli também passaram pelo órgão de repressão. Ela testemunhou o assassinato de Danielli.

Seus filhos, Edson e Janaína, de 4 e 5 anos à época, foram sequestrados e levados à Oban, presenciando as torturas sofridas pelos pais.

Feminista, Amelinha participou do Jornal Brasil Mulher nos anos 1970 e teve papel crucial na efetivação da Lei Maria da Penha como advogada e formadora de Promotoras Legais Populares.

Ela foi entrevistada no podcast Perdas e Danos, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), que explorou os beneficiados pelo regime militar de 1964.

Amelinha colaborou com pesquisa da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) sobre responsabilidades de empresas por violações de direitos na ditadura.

Amelinha Teles alertava sobre a importância de não esquecer o período ditatorial: "Nós temos que enfrentar o passado... A página tem que ser lida e compreendida."

Sua reflexão sobre a perda de figuras democráticas destaca: "Cada pessoa assassinada... é nossa experiência de construção dos valores democráticos que nós perdemos."

A Rede de Desenvolvimento Humano homenageou Amelinha nas redes: "Hoje perdemos nossa companheira... mas a história da luta das mulheres brasileiras perde muito mais do que uma militante."

Fonte: Agência Brasil