FEMINICÍDIO

Mortes violentas de mulheres cresceram mais de 50% em 2020 em Teresina

Teresina registrou nos últimos seis anos, 37 feminicídios e 117 mortes violentas contra a mulheres


Violência contra mulher

Violência contra mulher Foto: Divulgação

As mortes de mulheres cresceram mais de 50%, em 2020, na cidade de Teresina em comparação com 2019, segundo informações do Anuário da Segurança Pública do Piauí.

Teresina registrou nos últimos seis anos, 37 feminicídios e 117 mortes violentas contra a mulheres. Os números, divulgados pela secretaria municipal de Políticas Públicas para as Mulheres (SMPM) revelam um verdadeiro drama social relacionado à violência contra a mulher na capital piauiense.

No dia 14, o feminicídio de Ana Valeska Araújo, onde o suspeito é o ex-marido, Wagner Dias de Freitas, revelou a face mais cruel da questão que passa, principalmente, pelo machismo estrutural impregnado na sociedade, onde a mulher é vista como “propriedade” do homem.   

Para discutir sobre o assunto, as comissões dos Direitos da Mulher e dos Direitos Humanos e Juventude da Assembleia Legislativa (Alepi) realizaram uma audiência pública virtual nesta quinta-feira (17) para marcar a passagem do Dia do Combate Estadual ao Feminicídio, que acontece no dia 27 de maio. A audiência foi presidida pela deputada Flora Izabel (PT), que propôs o debate com representantes do Ministério Público, da Defensoria Pública, da Coordenadoria de Defesa aos Direitos da Mulher e outras entidades.

Ao abrir a audiência, a deputada Flora Izabel destacou alguns de seus projetos que tratam de garantir os direitos e a segurança das mulheres. “Trabalhamos muitas propostas voltadas para a questão da mulher. Já propusemos ao Poder Executivo uma parceria com estabelecimentos como pousadas para acolher mulheres vítimas de ameaça”, disse a deputada referindo-se a ao Projeto de Lei Ordinária Nº 85/2020, que trata do acolhimento de mulheres vítimas da violência doméstica e familiar em quartos de hotéis e pousadas durante o isolamento social e calamidade pública.

A defensora pública Lia Medeiros do Carmo Ivo falou sobre o aumento nos casos de feminicídio e citou o recente caso do assassinato de Ana Valeska Araújo, que ocorreu em uma das avenidas mais movimentadas de Teresina. “Precisamos tirar o foco apenas da punição. É importante lutar pela impunidade, mas, nesse caso recente, a pessoa acabou com a vida de uma mulher e com a própria vida. Temos que combater o machismo estrutural. Há uma ideia de que a mulher está no mundo para servir. O combate ao feminicídio parte de políticas públicas voltadas para a educação ”, defendeu.

A representante da Coordenadoria de Estado de Políticas para as Mulheres, Ellen Costa, acredita que a pandemia contribuiu para o aumento nos casos de violência contra a mulher. “Cada caso de feminicídio é como se tirasse um pedaço de cada uma de nós. Há uma pandemia viral e uma pandemia silenciosa de violência”.

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