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As lições da pandemia

A liberdade de ir e vir, fisicamente, não é um impeditivo a que nós ajamos como seres livre e pensantes


Solidariedade

Solidariedade Foto: Reprodução

A pandemia do novo coronavírus está nos dando muitas lições, para além das medidas sanitárias intensas e necessárias para evitar uma propagação indiscriminada e perigosa da doença – o que acarretaria um colapso em um sistema de saúde já deficitário para lidar com a quantidade de pacientes em situação de normalidade.

As lições são muitas. Tentarei aqui falar de algumas delas, desde as mais elementares e frugais até aquelas que tocam em coisas fundamentais, como a liberdade. Sim, experimentamos a condição de não ter a liberdade física de ir e vir, de nossa falibilidade como seres humanos, da incapacidade de agir ou reagir.

A liberdade de ir e vir, fisicamente, não é um impeditivo a que nós ajamos como seres livre e pensantes, para que adotemos posturas adequadas e de respeito ao semelhante. Podemos e devemos, neste momento, agir com responsabilidade, bom senso e ética.

Responsabilidade e bom senso, por exemplo, pode estar numa lição que aprendemos desde sempre com nossas mães: manter uma rigorosa higiene pessoal. Água e sabão sempre foram garantidores de uma boa saúde pessoal e coletiva. Atualmente, mais do que nunca, fazem parte de um arsenal simples de garantir que uma doença virulenta se espalhe. Passada essa crise, quem sabem a gente mantenha esse hábito frugal como uma regra sanitária rotineira que vai afastar os riscos de outras moléstias.

Se a lição de lavar as mãos está apreendida entre nós e seguirá doravante como rotina, felizmente, outra lição que se segue é a de valorizar a liberdade – seja no sentido físico do ir e vir, seja em sentidos mais subjetivos como a de que informações e ideias difundidas livremente podem e devem ser uma arma para se combater a má informação ou a falta da informação. Assim, devemos aprender que a transparência é uma coisa essencial a todos nós.

A transparência permite que todos possam ver e acompanhar o que fazem os governantes no atual momento de pandemia. Isso tem o poder de nos levar a aprender uma outra lição: o direito coletivo e o interesse público sempre devem estar acima do direito e do interesse individuais. Mais ainda: nada é mais importante que a vida das pessoas. Nada.

Se a vida humana é mais importante que tudo, outra lição apreendida neste grave momento é a de que devemos sempre ser solidários, nos abrir à doação e à ajuda àqueles que fazem parte das camadas mais hipossuficientes de nossa sociedade.

É certo que se somos solidários em circunstâncias assim, devemos fazer dessa uma lição para os dias de calmaria também. E nessa pisada, também manter um esforço para aprender e aplicar a lião de respeito ao próximo e de civilidade. Não dá para enfrentar crise sem disciplina e sem calma, com obediência a regras básicas e a leis que, se existem, foram feitas para garantir uma relação social minimamente equânime.

Quando tudo isso passar, talvez a gente possa fazer uma lista de cinco ou seis coisas boas que aprendemos. Toda crise, ensina, e, sendo uma crise muito grave e que atinge todo o mundo, ensina muito mais. Por isso, talvez caiba lembrar a mais fundamental de todas as crises: se não nos colocarmos no lugar do outro, nada teremos aprendido.

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