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80 anos do VTS


VTS

VTS Foto: Divulgação

Na terça-feira, 10 de outubro, um teresinense muito especial fez 80 anos de nascimento. Trata-se de meu amigo Vicente Trindade dos Santos, o VTS, que sempre diz ter bar por necessidade e competência, mas que está para além do cidadão que fez do seu estabelecimento meio de sobrevivência e praticamente uma extensão dele próprio como pessoa e personalidade.

Não se teve propriamente uma festa de aniversário para o Vicente, que estava como se costume trabalhando no bar que ele “preside”, o Clube VTS, à qual estou ligado desde o começo dos anos 2000, com muita satisfação, alegria e honra.

Amigos foram lá na terça-feira, 10 de outubro para celebrar com ele a chegada aos 80 e, mais importante que isso, abraçá-lo com alegria, posto que VTS chega a oito década de vida com uma vitalidade de causar inveja a boa parte das pessoas. Quem sabe essa boa condição se deva a muito trabalho, a ter respostas boas para perguntas ruins, a não se deter pelas dificuldades que a vida dele nunca foram poucas.

Sobre dificuldades, aliás, o VTS é o que a gente chamaria de PhD: chegou em Teresina em 1957, com apenas 14 anos de idade, tangido de sua cidade natal, Coroatá, no interior do Maranhão, pelas agruras e falta de oportunidade. Se era de sofrer onde sequer havia horizonte para a esperança, melhor padecer num lugar em que a esperança pudesse ser avistada. Deu-se assim a vinda dele para Teresina, onde, segundo ele mesmo narra, fez quase tudo, desde gerente de cabaré até marceneiro que se apaixonou pela viola.

Vicente Trindade dos Santos talvez encarne bem aquela ideia de que uma pessoa quando morre leva consigo uma biblioteca. Isso porque sua prodigiosa memória registra fatos a narrativas sobre Teresina a partir da segunda metade do século XX – um testemunho realmente bom para a memória da cidade, sua evolução. Um exemplo: quando chegou à cidade, instalando-se nas cercanias do seu estabelecimento (rua João Cabral, 30 Centro), Teresina era cidade acanhada com uma zona boêmia central, na qual também residia boa parte da sua população mais abonada.

Hoje, o Centro que o VTS viu progredir, agora ele assiste a degringolar-se. O velho Vicente Trindade dos Santos resiste. Mantém seu estabelecimento a trancos e barrancos, queixando-se com razão, mas sem nunca perder de vista aquela esperança que não havia no horizonte de sua terra natal, mas que segue existindo no nosso horizonte teresinense. Uma esperança de ver revitalizado o Centro da cidade, o ‘couer de ville’, como gostam de dizer os mais sabidos, que está fraco, mas pulsa na força de homens com a fibra, coragem e determinação do agora octogenário Vicente Trindade dos Santos.

Álvaro Mota

Álvaro Mota

Procurador do Estado e mestre em Direito pela Universidade Federal de Pernambuco - UFPE. Álvaro também é presidente do Instituto dos Advogados Piauienses.
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Álvaro Mota

Álvaro Mota

Procurador do Estado e mestre em Direito pela Universidade Federal de Pernambuco - UFPE. Álvaro também é presidente do Instituto dos Advogados Piauienses.

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