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HOMENAGEM

Assembleia de Pernambuco homenagea João Claudino em Plenária

Na oportunidade foi lido na plenaria artigo do colunista ‘Meu amigo João Claudino’”.


Empresário João Claudino

Empresário João Claudino Foto:

colunista recebi o Ofício em epígrafe segunda-feira passada, 26, encaminhado pelo Segundo Secretário da Assembleia Legislativa do Estado de Pernambuco (ALEPE), Deputado Claudiano Martins Filho, informando sobre o Requerimento No. 2011/2020, de autoria do Deputado Waldemar Borges, que fez constar na Ata de Reunião do dia 25/04/2020, voto de profundo pesar pelo falecimento do Sr. João Claudino Fernandes.

O Deputado Waldemar Borges citou no Requerimento: “Para homenagear seu João à altura que ele merece, recorremos ao excepcional texto do amigo piauiense Deusval Lacerda de Moraes, com o título ‘Meu amigo João Claudino’”.

Para mim, foi uma grande honra o meu texto não somente justificar a grandeza do meu inolvidável amigo João Claudino, como também por constar para a posteridade nos anais daquela augusta Casa Legislativa.

Meus sinceros agradecimentos ao extraordinário amigo político pernambucano Waldemar Borges.

O artigo, na íntegra. Ei-lo:

Deusval: Meu amigo João Claudino

Por Deusval Lacerda de Moraes

24 de abril de 2020, dia em que faleceu, próximo aos 90 anos de idade, o megaempresário João Claudino Fernandes. Homem de inúmeras aptidões na maneira de ser e de agir. Genial, pois possuía dotes intelectivos excepcionais por desenvolver múltiplos sistemas  complexos e de risco ao mesmo tempo, característica incomum.

Visão de águia, ao mirar o olhar numa situação ou fenômeno via todos movimentos nos mínimos detalhes e com a compreensão integral do processo na dinâmica holística da realidade observada.

Como ser humano, testemunhei, numa convivência assaz presente  por mais de uma década, que era sem par. Sei, pois, da largueza de seus incontáveis gestos, atos e feitos dignos de justa louvação, enaltecimento, pela sensibilidade, providência, atenção e solicitude nos momentos emergenciais e de presteza. A sua solidariedade não tinha distância, preço nem limite.

É importante destacar a virtuose do fiel arraigamento aos valores, tradições, culturas e histórias das origens e telurismo nordestinos que configuravam o seu modo de vida traduzido na simplicidade, humildade e total despojamento.

Como empresário, comungo com o emérito professor e economista Jacques Marcovitch na sua obra “Pioneiros e Empreendedores: a saga do desenvolvimento do Brasil” por João Claudino caber também nos seus estudos que apontaram empreendedores à moda brasileira que souberam transformar as adversidades enfrentadas em fonte de aprendizagem para, criativamente, encarar os desafios empresariais que surgiram ao longa da jornada.

João Claudino, na sua escalada executiva, viveu os impactos da diversidade cultural decorrentes da sua origem do interior do Nordeste mas cujos ingredientes incluiram aguçada sensibilidade para o convívio humano e grande capacidade de liderança. Soube prever a necessidade dos consumidores e identificar, com extraordinário discernimento, os melhores talentos na escolha dos seus proativos colaboradores.

Ainda em analogia ao professor, também demonstrou domínio marcante sobre temas de fronteira da administração de empresas com conhecimento gerencial que modificaram a competitividade empresarial, com inovação tecnológica, competitividade da cadeia setorial, gestão de risco e ética empresarial e valores humanos.

Seu João, como era chamado, foi empresário eclético, versátil, pois logo se adaptava às mudanças e transformações dos tempos, e se antecipou na incorporação da responsabilidade social como traço inseparável do negociante comprometido com o seu meio.

E através dessa ação benfazeja prestou imensuráveis serviços à sociedade, criando fundações, capacitando e profissionalizando trabalhadores, disponibilizando doações solidárias, estimulando e promovendo eventos artísticos, culturais e educacionais em uma gama de áreas e atividades afins.

Para exemplificar, lembrarei do Festival de Violeiros do Norte e Nordeste, realizado já há quase meio século em Teresina, que é a arte da cantoria, do repente, da viola e da poesia popular, com inigualável mecenato artístico e preservação cultural regional.

Como amigo, era incomparável, insuperável. Homem nascido em 1930 com atitudes sedimentadas na decência, confiança, respeito. Tudo que dizia se podia acreditar. Palavra dada, palavra cumprida. Não arredava pé das tratativas acordadas, logo previsível, sério, transparente, direto, verdadeiro.

Certa vez perguntei o que o levou ao estrondoso sucesso. Ele sem titubear respondeu: trabalho e organização. Atrevo afirmar que ambos componentes inseriam as condições inatas do seu existir.

Era o gênio do sertão que serviu construtivamente ao Brasil pelo pedestal e proeza atingidos pela dedicação, exemplo, intuição e reconhecimento de todos pelos mais de setenta anos de labor e fértil engenhosidade mercantil.

O Piauí faz parte dessa gloriosa e prodigiosa história, quando em 11 de janeiro de 1968 o potiguar-paraibano João Claudino Fernandes aportou em Teresina para sediar os seus negócios. E sem sombra de dúvida foi o divisor de águas na economia - serviço, comércio, indústria - do Estado do Piauí.

Foram 52 anos na construção do colossal conglomerado industrial em terras mafrenses e alhures. Chegou com 37 anos de idade, mas com uma vasta experiência comercial em Cajazeiras (PB) e com sólidos negócios no Estado do Maranhão e que pressentira nesta sub-região Meio-Norte do Brasil ser o porto seguro para a centralização gerencial dos seus estabelecimentos negociais.

Teresina despertou o interesse de Seu João por fundadas razões: capital de um Estado com imensa dimensão territorial e potencial de expansão do negócio carro-chefe: o Armazém Paraíba; ser vizinha ainda do Estado do Maranhão, por ele já desbravado; fácil acesso aos estados do Ceará, Paraíba e Pernambuco; além do atrativo de bem-estar e pertencimento da cidade que já apresentava franco crescimento.

João Claudino mudou a cultura de fazer negócio no Piauí. Pois arrojado, intuitivo e determinado, diversificou as suas atividades comerciais de acordo com as necessidades do mercado e que se transformou num industrial de primeira grandeza com diversas empresas manufatureiras e de comercialização de mercadorias, produtos e serviços que formam o majestoso Grupo Claudino.

Arguto e estrategista na faina do que a vocação o predestinou, foi empreendedor que se ancorou na transpiração com a devoção ao trabalho e na inspiração criativa e inovadora na expansão das suas idealizações. Farejador, tudo saía adequadamente ao planejado.

Na verdade, como na mitologia grega, em tudo que ele tocava virava ouro, ou melhor, era lucro garantido, e as empresas cada vez mais saudáveis e prósperas.

Eis a memorável missão do amigo João Claudino Fernandes que tive a honrosa satisfação de conviver. E com ele aprendi muita coisa boa, pois era pensador, sábio, guia e exímio conselheiro. Amante das artes (música, cinema, teatro, futebol, oratória, causo) e das letras (poesia, literatura, crônica, conto). Era polímata, sabia tudo. Vai fazer muita falta, e como vai!
[15:52, 28/10/2020] Deusval: EM TEMPO: Recife, sede da ALEPE, é a cidade onde conclui o Ensino Médio e cursei Universidade.

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